quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Eventos Espíritas: programe-se e participe!


Veja a programação completa na página Eventos Espíritas.

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STF suspende julgamento da questão do ensino religioso nas escolas públicas e adia decisão


Mais uma vez o plenário do Supremo Tribunal Federal adiou a decisão sobre a questão do ensino religioso nas escolas públicas no Brasil (entenda a questão aqui). Nesta quinta-feira, três ministros manifestaram seu voto sobre o caso, mas a resolução final ficou em aberto depois que a presidente da corte, Ministra Carmem Lúcia, suspendeu a sessão. A expectativa é que o processo entre na pauta da sessão da próxima quarta-feira (27 deste setembro) e, finalmente, seja conhecida a decisão final sobre a matéria em debate.

Em síntese, pela proposta, defendida pelo relator do caso no Supremo Ministro Luis Roberto Barroso, o ensino religioso nas escolas públicas deve contemplar uma visão laica do contexto das religiões e até dos segmentos não-religiosos (como o ateísmo e agnosticismo) e não permitir a promoção particular de um ou outra crença, ou seja, não promover o ensino confessional.

Além de Barroso, outros dois ministros seguiram essa interpretação, Rosa Weber e Luiz Fux. Já o ministro Edson Fachin divergiu e defendeu o direito dos professores professarem sua crença e de usar a disciplina escolar pública para promover uma determinada religião àqueles alunos que bem entenderem, por si ou por orientação dos seus tutores, querer se matricular nessa disciplina, que é facultativa, ou seja, não é matéria obrigatória. Seu colega, ministro Alexandre de Moraes acompanhou a divergência. Então, com esse cenário, aquela sessão, no início do mês, foi suspensa e a sequência do processo agendada para esta quinta-feira.

Em continuação, portanto, na sessão de hoje, deliberaram seu voto os ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Ricardo Lewandovski, todos divergindo com o relator. Portanto, o placar está desta forma: 3 votos a favor de um modelo de ensino não confessional e 5 votos a favor da liberdade para as escolas públicas de se vincularem a uma determinada crença.

Faltam votar os ministros Celso de Mello, Marco Aurélio Mello e a atual presidente da suprema corte, ministra Carmem Lúcia.

Continuaremos acompanhando o caso e daremos nota da decisão tão logo ela seja conhecida.

Fonte Site do STF

"Chico Xavier, um amigo" - filme documentário


Você já deve ter visto muitos documentários e reportagens sobre a a vida e obra de Chico Xavier, a ponto de talvez pensar já ter visto e saber de tudo sobre o querido médium espírita. Inclusive, certamente que se inclui nessa conta o filme biográfico produzido pela Rede Globo em 2010, por ocasião do centenário de nascimento daquele apóstolo kardecista. Porém, não se dê por satisfeito. Tem novidade na net.

Já está no ar o filme documentário "Chico Xavier, um amigo", produzido por Claiton Freitas, diretor do site ArtEspirita, uma produção descolada, descontraída, com uma proposta de "metalinguagem", como o o próprio autor  nele ressalta.


Claiton Freitas

Clainton faz o círculo trivial de um roteiro biográfico: vai à terra natal do personagem, Pedro Leopoldo; depois à cidade onde ele estabeleceu seu "escritório" de atividade doutrinária, Uberaba. Registra lugares históricos e peças do acervo pessoal do médium, faz uma breve descrição da trajetória do humanista, colhe depoimentos, etc. Tudo como manda as boas práticas de um roteiro do gênero. 

Mas, além disso, saindo do trivial, o produtor molda um estilo particular de apresentar o tema, com leveza, simplicidade e despojamento, bem à caráter do nosso Chico. Com isso, a produção fica diferente e atrativa, sob o ponto de vista artístico, fora do padrão jornalístico dos documentários comuns.


E é isso, "Chico Xavier, um amigo", é uma peça artística, para além de um script formal.

Independentemente do estilo empregado na produção, estamos falando sobre Francisco Cândido Xavier, o nosso Chico, uma das mais extraordinárias personagens da História da Humanidade. Então, já por isso, esse filme merece nossa espiada.

Assista-o pela janela abaixo:




STF e a questão do ensino religioso


Noticiamos aqui o andamento de um processo movido junto ao Supremo Tribunal Federal sobre a questão do ensino religioso nas escolas públicas no Brasil (veja aqui), cuja sequência estava agendada para a sessão de ontem, quarta-feira 20 de setembro, mas que acabou resultou em novo adiamento, visto a presidência da corte priorizar outras matérias jurídicas.

Conforme indica o site do STF (consulte aqui), esse processo, que é de Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI - 4439), ocupa a terceira matéria da pauta de hoje no Supremo.

Estamos acompanhando o julgamento e a sua repercussão. A sessão plenária do STF começa às 14h e é transmitida ao vivo pela TV Justiça, Rádio Justiça e pelo canal do STF no YouTube (acesse aqui).

Acompanhe conosco!

domingo, 17 de setembro de 2017

Sugestão de leitura: "MEMÓRIAS DE UM SUICIDA"


Para este mês de setembro, dedicado especialmente à campanha Setembro Amarelo (saiba mais), nossa sugestão de leitura é o clássico "MEMÓRIAS DE UM SUICIDA", ditado pelo Espírito Camilo Cândido Botelho e psicografado pela médium Yvonne A. Pereira (ver biografia na Enciclopédia Espírita Online).

O livro — aliás, um dos títulos mais lidos de toda a literatura espírita (ver Pesquisa Nacional Espírita— é uma obra-prima, com enfoque especial, obviamente, sobre o suicídio e os desdobramentos desse ato fatal para o Espírito desencarnado, tanto para a sua estadia na dimensão  espiritual quanto para o seus planos reencarnatórios.

Camilo Cândido Botelho (Camilo Castelo Branco)
Camilo Cândido Botelho, o autor espiritual da obra, é um pseudônimo adotado pelo Espírito daquele que foi Camilo Castelo Branco (1825-1890), o grande escritor português, também condecorado pelo rei D. Luis como 1° Visconde de Correia Botelho. Foi um romancista, cronista, poeto, dramaturgo, crítico e historiador de renome internacional. Entre suas consagradas obras literárias, enquanto encarnado, destacam-se Amor de Perdição (1862), Memórias do Cárcere (1862,) A Queda de um Anjo (1866), Amor de Salvação (1864), Doze Casamentos Felizes (1861) e Coração, Cabeça e Estômago (1862).

O sucesso de sua carreira como escritor não foi o suficiente para aplacar a dor, o sentimento de humilhação e revolta com os progressivos problemas visuais que o levaram à cegueira completa, levando-o ao suicídio. Pouco antes de levar a efeito esse autocídio, ele desabafou, via carta, com seu oftalmologista:
Illmo. e Exmo. Sr.,Sou o cadáver representante de um nome que teve alguma reputação gloriosa n’este país durante 40 anos de trabalho. Chamo-me Camilo Castelo Branco e estou cego. Ainda há quinze dias podia ver cingir-se a um dedo das minhas mãos uma flâmula escarlate. Depois, sobreveio uma forte oftalmia que me alastrou as córneas de tarjas sanguíneas. Há poucas horas ouvi ler no Comércio do Porto o nome de V. Exa. Senti na alma uma extraordinária vibração de esperança. Poderá V. Exa. salvar-me? Se eu pudesse, se uma quase paralisia me não tivesse acorrentado a uma cadeira, iria procurá-lo. Não posso. Mas poderá V. Exa. dizer-me o que devo esperar d’esta irrupção sanguínea n’uns olhos em que não havia até há pouco uma gota de sangue? Digne-se V. Exa. perdoar à infelicidade estas perguntas feitas tão sem cerimônia por um homem que não conhece.
Camilo Castelo Branco
O livro é marcante, seja pela relevância do tema, seja pela qualidade literária — o que só permite dúvida quanto à autoria da obra aos mais obstinados em negar a mediunidade, por preconceito puro. Apesar do peso dramático da narração do autoflagelo, tendo em vista o seu "crime espiritual", na qualidade de suicida, Camilo não amargura o leitor de "MEMÓRIAS DE UM SUICIDA", mas, ao contrário, remete-o a uma positiva e reconfortante reflexão sobre o valor da vida, pondo em evidência a imensidão do amor do Pai celestial, misericordioso para com todas as criaturas, e a possibilidade de autorregeneração. O livro é, portanto, um hino literário à vida e a esperança de evolução espiritual. Quem o lê com a devida atenção conclui a leitura repleto de entusiasmo com o poder pessoal que todos têm de auto-superação e, claro, absolutamente convencido de que o suicídio nunca vale a pena. É, de fato, um antídoto contra esse grande mal, corroborando com os princípios da Doutrina Espírita.

Então, se você já leu, fica a dica para a releitura — porque, inclusive, a obra se agiganta e parece se renovar a cada vez que nela nos aventuramos. E se você ainda não teve a oportunidade, coloque-a entre suas prioridades e não adie a sua leitura.

Baixe "MEMÓRIAS DE UM SUICIDA" em PDF pela nossa Sala de Leitura.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Programa Evangelho no Lar Online ao vivo


Nesta quinta-feira, às 20h (horário de Brasília), tem mais uma edição ao vivo do Programa Evangelho no Lar Onlineo nosso encontro familiar com Jesus e toda a espiritualidade, para um momento de reflexão, aprendizagem e confraternização espiritual em torno da Boa Nova trazida pelo Mestre de Nazaré, à luz do Espiritismo.

As videotransmissões são feitas ao vivo via YouTube e você pode acompanhá-las pelo link do YouTube Live, pela página inicial do nosso Portal Luz Espírita.

Participe conosco e nos ajude na divulgação.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

O debate entre Allan Kardec e um padre católico


É como que o imaginário popular levante a questão de como era Allan Kardec, o codificador espírita, nas suas tratativas diárias, com os confrades, com os curiosos e, em especial, com os críticos e detratores assumidos do Espiritismo. Qual a sua postura e argumentos nos embates orais do dia a dia? Enfim, como era conversar com o codificador da Doutrina Espírita?

Uma de suas atividades corriqueiras, desde que tomou para si o vocacionado espírita, era a de receber visitas de pessoas interessadas — ou supostamente isso — em conhecer a doutrina e o andamento dos trabalhos da Sociedade Espírita de Estudos Espíritas, da qual Kardec era o fundador e presidente. E vinha gente de toda parte do mundo, de todos os gêneros e com as mais diversas expectativas.

Sua amiga e biógrafa Anna Blackwell (saiba mais) assim o descreveu: "Grave, lento no falar, modesto nas maneiras, embora não lhe faltasse certa calma dignidade, resultante da seriedade e da segurança mental, que eram traços distintos de seu caráter. Nem provocava nem evitava a discussão, mas nunca fazia voluntariamente observações sobre o assunto a que havia devotado toda a sua vida, recebia com afabilidade os inúmeros visitantes de toda a parte do mundo que vinham conversar com ele a respeito dos pontos de vista nos quais o reconheciam um expoente, respondendo às perguntas e objeções, explanando as dificuldades, e dando informações a todos os investigadores sérios, com os quais falava com liberdade e animação, de rosto ocasionalmente iluminado por um sorriso genial e agradável, conquanto tal fosse a sua habitual seriedade de conduta que nunca se lhe ouvia uma gargalhada."

Com isso, não é difícil que nos venha o desejo de algo parecido com "ter uma conversa com Kardec" ou pelo menos "assistir ao um diálogo entre o mestre lionês e um daqueles visitantes"...

Pois bem, encontramos no livro O Que é o Espiritismo a transcrição de três diálogos de Kardec com três diferentes visitantes, denominamos de "o crítico", "o cético" e, o terceiro, "o padre". Por essas conversações, podemos ter uma ideia de como era conversar com o codificador. O diálogo que destacamos, embora os demais não sejam de menor valor, é justamente o do abade católico, cuja identidade Kardec preservou, certamente, por respeito. Não há datação e nem identificação do local do encontro.

Segundo a transcrição de Kardec, o clérigo o interpela dizendo "O senhor me permite lhe dirigir algumas perguntas?", ao que o espírita responde: "Com prazer, reverendo; mas, antes de responder a elas, creio ser útil fazê-lo conhecer o terreno em que me devo colocar perante ti. Primeiro que tudo, devo declarar que não tenho a pretensão de convertê-lo às nossas ideias. Se desejar conhecê-las pormenorizadamente, encontrará as ideias espíritas nos livros em que estão expostas; neles poderá estudá-las à vontade e aceitá-las ou rejeitá-las. O Espiritismo tem por fim combater a incredulidade e suas terríveis consequências, fornecendo provas patentes da existência da alma e da vida futura; ele se dirige então àqueles que em nada creem ou que de tudo duvidam — e o número desses não é pequeno, como muito bem sabem; os que têm fé religiosa e a quem esta fé satisfaz, não têm necessidade dele. Àquele que diz: “Eu creio na autoridade da Igreja e não me afasto dos seus ensinos, sem nada buscar além dos seus limites”, o Espiritismo responde que não se impõe a pessoa alguma e que não vem forçar nenhuma convicção. A liberdade de consciência é consequência da liberdade de pensar, que é um dos atributos do homem; e o Espiritismo, se não a respeitasse, estaria em contradição com os seus princípios de liberdade e tolerância. A seus olhos, toda crença, quando sincera e não permita ao homem fazer mal ao próximo, é respeitável, mesmo que seja errônea. Se alguém fosse arrastado por sua consciência a crer, por exemplo, que é o Sol que gira ao redor da Terra, nós lhe diríamos: “Acredite se quiser, porque isso não fará que esses dois astros troquem os seus papéis”; mas, assim como não procuramos violentar-lhe a consciência, respeite também a nossa. Porém, se transformar uma crença, de si mesma inocente, em instrumento de perseguição, ela então se tornará nociva e pode ser combatida. Tal é, senhor abade, a linha de conduta que tenho seguido com os ministros dos diversos cultos que a mim têm se dirigido. Quando eles me interpelaram sobre alguns pontos da Doutrina, dei-lhes as explicações necessárias, isentando-me de discutir certos dogmas de que o Espiritismo não se quer ocupar, em razão de todos os homens serem livres em suas apreciações; nunca, porém, fui procurá-los no propósito de lhes abalar a fé por meio de qualquer pressão. Àquele que nos procura como irmão, nós o acolhemos como tal; ao que nos repele, deixamo-lo em paz. É o conselho que não tenho cessado de dar aos espíritas, porque não concordo com os que se arrogam a missão de converter o clero. Sempre lhes tenho dito: Semeiem no campo dos descrentes, onde há colheita a fazer. O Espiritismo não se impõe, porque, como eu disse, respeita a liberdade de consciência; ele sabe também que toda crença imposta é superficial e só desperta as aparências da fé e nunca a fé sincera. Ele expõe seus princípios aos olhos de todos, de modo a cada um poder formar opinião segura. Os que lhe aceitam os princípios — sejam sacerdotes ou leigos — o fazem livremente e por achá-los racionais; mas nós não ficamos querendo mal aos que se afastam da nossa opinião. Se hoje há luta entre a Igreja e o Espiritismo, nós temos consciência de não havê-la provocado."

E o diálogo prossegue e o vigário vai perguntar sobre vários conceitos doutrinários e, obviamente, objetar o Espiritismo ao mesmo tempo em que tentar justificar a sua religião. Ele levanta questões como a autoridade da igreja católica, a suposta proibição de Moisés para a prática mediúnica, a necessidade de uma nova doutrina (como a do Espiritismo) frente aos dogmas do catolicismo, etc. É um debate interessante, sem dúvidas.


O codificador espírita é firme em suas convicções, sem deixar de lado a gentileza e o respeito com o interlocutor. Não o ofende diretamente, mas também não abdica de posicionar-se claramente, o que define que cada qual está sob uma bandeira que converge em certos pontos e são totalmente antagônicas noutros. É, de certa maneira, uma postura árida para os padrões atuais do chamado "politicamente corrento". Enquanto muitos poderiam supor ser mais "polido" ceder e "se misturar" para "não magoar", Kardec assume o caráter "acertivo", bem definido e seguro de suas convicções. É como nos moldes do "Sim, sim e não, não" de Jesus (Mateus, 5:37).

Acesse agora mesmo a nossa Sala de Leitura e confira no livro O Que é o Espiritismo, capítulo I - "Pequena conferência espírita" os três referidos diálogos, e saboreie mais essa agradável leitura kardequiana.

sábado, 9 de setembro de 2017

Novo verbete na Enciclopédia Espírita Online: "Ubiquidade"


Nossa Enciclopédia Espírita Online acaba de ganhar uma edição com a inclusão do verbete "Ubiquidade".

Veja a síntese do verbete:
Ubiquidade, ou onipresença, é a capacidade de estar presente em todos os lugares ao mesmo tempo, classicamente atribuída exclusivamente a Deus. Esta faculdade implica também na aptidão para captar as impressões de todas as ocorrências de todas as partes e para interagir com todos os acontecimentos. Assim, diz-se que a divindade está em todo lugar, tudo vê, tudo sente e em tudo interfere. Na codificação espírita, Allan Kardec sonda a possibilidade de também os Espíritos terem o dom da ubiquidade, anotando que — conforme o ensino espiritual —, se não em absoluto, como no caso da ubiquidade de Deus, os Espíritos irradiam sua consciência e alcançam distâncias mais ou menos longas, conforme seu grau evolutivo.
Amplie seus conhecimentos acerca dos conceitos da Doutrina Espírita consultando a nossa Enciclopédia, absorvendo assim o pão espiritual de que todos nós precisamos e com o qual podemos adiantar nosso curso evolutivo.

Clique aqui e confira todo o conteúdo do verbete Ubiquidade.


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Vibrações especiais para este 7 de setembro


7 de setembro, feriado cívico brasileiro, em homenagem ao histórico dia da declaração de Independência do Brasil.

É sabido das controversas interpretações que se faz no entorno dessa comemoração. Para muitos, o tal "grito do Ipiranga" não passou de uma encenação, que a nossa gente nunca deixou de ser dependente e colônia extraoficial dos exploradores estrangeiros, que o governo instaurado permanecia vinculado a Portugal e aos interesses daquela metrópole, que... enfim, são muitas ideologias acerca dessa questão.


Para o momento, porém, o convite que fazemos é, sobretudo nesses tempos de extrema tensão política, fazermos uma vibração especial para o Brasil, tendo como foco principal o ensejo para, dentro dessa vibração, permitirmo-nos uma reflexão sobre as nossas responsabilidades para com esta nação que nos acolhe nesta encarnação.

Não estamos aqui por acaso, logo, não devemos ser alheios a esses compromissos, como espíritas, como cidadãos brasileiros.

Meditemos sobre como deveríamos contribuir para a evolução dessa pátria, para que se consagre, de fato, o plano de fazer desta terra o farol iluminativo para uma nova era, em que os valores espirituais, de virtudes morais como a honestidade e a fraternidade prevaleçam.

E vale a pena recordar essa postagem relacionada ao tema:





segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Setembro Amarelo: mês de prevenção do suicídio e valorização da vida


Em 2013, a OMS - Organização Mundial da Saúde e a Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (ASP - Association for Suicide Prevention) estabeleceram o dia 10 de setembro como o Dia Mundial para Prevenção do Suicídio, tendo em vista que este é considerado um problema de saúde pública, cujas vítimas diretas são os que atentam contra a própria vida e as vítimas indiretas são todos os demais envolvidos, especialmente parentes e amigos.

Por conseguinte, todo o mês de setembro passou a ser alvo de uma campanha multi-institucional intitula "Setembro Amarelo", em sintonia com outras campanhas, por exemplo, o "Outubro Rosa" e a conscientização para a necessidade das mulheres cuidarem-se contra o câncer de mama.

Setembro Amarelo então é um ensejo para se discutir o problema do suicídio e, mais que isso, para se conscientizar sobre o "valor da vida". Neste quesito, a Doutrina Espírita se apresenta como uma via extraordinária por tratar do problema do auto-atentado pela sua raiz, pelas causas, muitas vezes instintivas de se querer fugir das responsabilidades espirituais, e apontando as possíveis consequências desse ato, com demonstrações concretas por parte dos exemplos colhidos mediunicamente, de uma forma tão positiva como nenhuma outra doutrina até então pôde fazer.

E nós, espíritas, temos um compromisso doutrinário de semear estes esclarecimentos, certos de que tal atitude pode salvar vidas (no sentido de projeto reencarnatório) e poupar irmãos de um terrível e desnecessário sofrimento. Porém, sempre devemos ter em mente que não podemos violar consciências. Devemos semear a mensagem àqueles que queiram cultivá-la.


Nós temos esporadicamente tratado desse tema aqui, a exemplo da matéria "Suicídio crescente preocupa os organismos internacionais", de 28 de setembro do ano passado. Neste post, temos uma boa síntese de como o Espiritismo trata o suicídio e um roteiro, com dicas literárias, para o fortalecimento do seu antídoto, que é a valorização da vida.


Vale a pena revisar também o artigo promocional do vídeo-documentário "Suicídio" da TV Mundo Maior, que postamos em novembro de 2013.

Se você mesmo precisar de ajuda para tratar desse problema, ou se conhece alguém que demonstre tendências para o suicídio, recomendamos buscar um acolhimento fraterno em uma casa espírita, onde confrades recebem e conversam pessoas fragilizadas com ideias dessa natureza e então dão orientações em acordo com a doutrina do Espiritismo, cujos valores principais são o amor e a vida.


Se, no entanto, mesmo diante da necessidade de um atendimento desse tipo, houver resistência em considerar os ensinamentos da doutrina kardecista, uma boa alternativa é o trabalho laico e voluntário do CVV - Centro de Valorização da Vida. O serviço é gratuito, 24 horas por dia e acessível por vários meios de comunicação, como telefone, e-mail, chat e skype.
Telefone: 141

E se você estiver perto de São Paulo, fique de olho nesse evento:


Contribua! Divulgue essa campanha!

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Ensino religioso sob julgamento no STF


Corre no Supremo Tribunal Federal um processo que pede a interpretação constitucional da suprema corte sobre uma questão de grande importante para todo o Brasil, envolvendo diretrizes do ensino religioso nas escolas públicas brasileiras.


A ORIGEM DO PROCESSO

A ação em tramitação teve origem numa petição da Procuradoria Geral da República (PGR) para que o STF dê um parecer sobre a velha discussão do escopo do currículo disciplinar do ensino religioso público que, no entender da PGR deve limitar-se à exposição histórica das doutrinas, bem como aos conceitos elementares de suas práticas e dimensões sociais, abrangendo diferentes crenças e até de tendências não religiosas (como o ateísmo e o agnosticismo), e, como determinação expressa, não promovendo uma crença particular, numa interpretação chamada de "ensino religioso não-confessional".

No entender da PGR, portanto, o curso religioso deve ser generalizado, restrito aos aspectos históricos e característicos das ideias religiosas, abrangente a diversas correntes de crenças, não permitir nem o sectarismo e tampouco preconceituoso e intolerante com qualquer fé, servindo assim como um salutar debate aberto para a troca democrática de ideias e, a partir daí, desenvolver um espírito de ecumenismo, respeitando as diferenças e promovendo os pontos convergentes.


O QUE DIZ A CONSTITUIÇÃO

A Constituição Federal do Brasil prevê o ensino religioso como uma das disciplinas facultativas no currículo escolar do curso fundamental (para alunos de 9 a 14 anos de idade) das escolas públicas. O ponto facultativo então estabelece que o aluno pode, por vontade própria ou por orientação dos pais ou responsáveis, cursar ou não essa disciplina. Portanto, não é uma matéria obrigatória.

Mas o texto constituinte não detalha o mode de operação desse curso, deixando a cada Estado da Federação os cuidados para montagem da matéria dentro de sua grade escolar. Nesse vácuo legal, alguns Estados fazem parcerias com certas instituições religiosas para estabelecer a oferta das aulas. Em alguns casos, fica a cargo de igrejas e assembleias a seleção dos "professores" — remunerados ou não — e a elaboração do plano pedagógico das aulas, assim como a orientação religiosa. Nisso, é comum que a disciplina dê exclusividade a uma determinada religião (sendo a doutrina católica a mais comum).

Sem diretrizes formalmente instituídas, a prática do ensino religioso há muito é matéria de protestos e uma guerra ideológica, especialmente entre católicos e evangélicos — até porque estas são as correntes religiosas mais numerosas em nossa pátria. Mas não é raro incidências de animosidade entre alunos no entorno de discussões e manifestações de preconceito e intolerância religiosa em sala de aula, cujos alvos mais comuns são as crenças minoritárias, como as alinhadas com o culto afrodescendentes. O que se explica pelos traços culturais de nossa gente formada nas tradições europeias.

Como o percentual do Espiritismo ainda é muito pequeno no cenário religioso nacional (não chega a 5% da população brasileira), ainda que o Brasil seja o país de maior população espírita do mundo, não se ouve falar tanto de perseguição sistemática contra os kardecistas, senão quando eles são incluídos no rol das crenças dito "místicas".

Convém lembrar que as escolas particulares têm a liberdade de promover diretamente uma crença, como é muito comum, aliás.


ANDAMENTO DO JULGAMENTO

Na derradeira quinta-feira, 31 de agosto, o STF reabriu a discussão do processo, que já soma 5 votos declarados. Como a decisão final depende da maioria dentre os 11 ministros do Supremo, a interpretação final ainda não está feita e o processo será retomado na sessão do dia 20 de setembro.

Dois 5 ministros que já votaram, 3 entenderam que o curso religioso não deve promover uma crença particular, e 2 defendem a liberdade para o "educador" pregar sua fé para os alunos que optarem na matricula da disciplina.

Conforme a praxe, o primeiro voto foi o do relator  no caso, o ministro Luís Roberto Barroso, que atendeu ao pedido da PGR. No seu parecer, ele exprime: "A escola pública fala para o filho de todos, e não para os filhos dos católicos, dos judeus, dos protestantes. E ela fala para todos os fiéis, portanto, uma religião não pode pretender apropriar-se do espaço público para propagar a sua fé".

No segundo voto, Rosa Weber acompanhou Barroso, sob o argumento da neutralidade do Estado. "Religião e fé dizem respeito ao domínio privado, e não público. Neutro há de ser o Estado", disse a ministra.

Luiz Fux votou pelo mesmo entendimento, mas questionou sobre como seria a contratação dos professores: "Qual será a autodeterminação religiosa de uma criança que estuda desde sua primeira infância num colégio doutrinada para uma determinada religião, sendo certo que é absolutamente impossível o Estado contratar professores para 140 religiões hoje consagradas pelos órgãos federais?".

Os outros dois ministros que já declararam votos são divergentes ao apelo feito pela PGR.Alexandre de Moraes é de opinião que o Estado não pode "censurar" a liberdade de expressão dos professores e, com isso, "impedir" que os alunos possam se aprofundar na fé que escolheram.

O outro divergente é o ministro Edson Fachin, sob a seguinte alegação: “A separação entre Igreja e Estado não pode, portanto, implicar o isolamento daqueles que guardam uma religião à sua esfera privada. O princípio da laicidade não se confunde com laicismo".

Faltam os votos dos ministros Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e a presidente do STF Cármen Lúcia.

Em se tratando de uma matéria polêmica — e, nesses casos, é natural que os juízes da corte se prolonguem na justificação de seu voto  não é certo que a decisão saia já no dia 20 de setembro. Também é válido mencionar que os ministros que já votaram podem, a qualquer momento do julgamento, mudarem o entendimento.


A IMPORTÂNCIA DESSE JULGAMENTO

As relações entre religião e Estado e entre escola e igreja são historicamente matérias de muitas controvérsias. Em muitas nações, essa relação totalmente intrínsecas, constituindo o ensino religioso o único permitido, onde a escola e todo o objetivo do aprendizado voltam-se para a pregação da religião oficial, sendo a estrutura escolar pública voltada para o catecismo religioso. Podemos citar o caso vigente dos Estados muçulmanos, bem como lembrar do projeto católico da Companhia de Jesus (dos jesuítas) e das escolas anglicanas, surgidas na Inglaterra e exportada para outros países, especialmente para os Estados Unidos.

Como a igreja Católica foi, por muito tempo, a única admitida oficialmente pelas nossas autoridades, as tradições do catolicismo estão fortemente enraizada em nossa cultura com implicações graves na montagem dos materiais didáticos aplicados nas nossas escolas. Noutras palavras, os padres ditavam o que se deveria ensinar — em acordo com os interesses da Igreja — e, mais, no modo como se deveria ensinar — onde a clausura, o terror e a palmatória sobrepuja a tudo.

Numa hora como essa, há que se fazer menção honrosa ao método educacional revolucionário de Johann Heinrich Pestalozzi, o professor de Allan Kardec.

Felizmente no Brasil a separação entre a Igreja e o Estado está consolidada oficialmente, assim como o direito constitucional da liberdade de crença — o que não exclui certos abusos atinentes aos interesses de políticos e entidades religiosas, vide os vergonhosos privilégios legais concedidos a igrejas e certas "autoridades religiosas".

De nossa parte, sem a pretensão de querer representar a unanimidade da voz dos espíritas, somos favoráveis ao apelo da Procuradoria Geral da República, na expectativa de que o Supremo Tribunal Federal interprete que o ensino religioso nas escolas públicas deva ser laico, não pregar unicamente uma determinada doutrina religiosa, mas promover o ecumenismo e a tolerância no campo da fé.

Essa diretriz oficial que o STF está a determinar, embora não seja garantia de efetividade dessa disposição (porque ainda estamos na cultura de que aqui "há leis que pegam e outras não"), é, no mínimo, um parecer norteador de conduta lega, no sentido de esclarecer que compomos todos juntos uma nação diversa e que, conforme a nossa Constituição Federal, este é um país onde a diversidade religiosa deve ser considerada um patrimônio cultural, sob o pálio da fraternidade.

Talvez esse julgamento vá repercutir muito pouco na nossa vivência prática, mas ainda assim consideramos importante acompanhá-lo de perto. E nós da Luz Espírita o acompanharemos com atenção.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Reportagem: a Pesquisa Nacional Espírita de Ivan Franzolim


Não há muito tempo nós comunicamos aqui de um interesse projeto de que tomamos conhecimento e desde então passamos a apoiar: a Pesquisa Nacional Espírita.

Voltamos a falar sobre esse assunto para apresentar uma reportagem que fizemos com nosso confrade, o pesquisador Ivan Franzolim, idealizador desse projeto.

Nessa reportagem, Franzolim nos conta como encontrou inspiração para iniciar esse trabalho pioneiro no Movimento Espírita, o objetivo, o planejamento estratégico, o processamento dos dados e a efetivação da amostragem que ele vem fazendo desde 2015, chegando este ano à terceira edição.

Ele também analisa alguns dados colhidos em sua pesquisa, alguns deles surpreendentes para o autor — e, provavelmente, para muita gente.

Confira a reportagem:


O Portal Luz Espírita vai continuar acompanhando os trabalhos desse importante levantamento estatístico, pois é, sem dúvida, uma boa ferramenta de análise de feedback do andamento das atividades doutrinárias e de propaganda da nossa doutrina em todo o nosso país.

E pedimos que todos nos ajudem na divulgação desse trabalho.

Lembrando que a próxima pesquisa será realizada em julho de 2018. Não deixe de participar!

Calendário Histórico Espírita: aniversário de nascimento do Dr. Bezerra de Menezes


Hoje é dia de mais um aniversário de nascimento de Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, o conhecido "médico dos pobres" e grande articulador do Movimento Espírita Brasileiro, que tanto lutou pela união dos confrades em torno da propagação do Espiritismo nas terras do nosso Brasil, da metade para o final do século XIX.

E, por ocasião da data, sugerimos a leitura do livro biográfico Bezerra de Menezes, de autoria do pesquisador espírita Canuto Abreu, disponível em nossa Sala de Leitura.

Confira a datação de outros eventos importantes para a memória do Espiritismo na página Calendário Histórico Espírita.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Polêmica sobre "a alma dos animais" - Relatos de "psicografia de animais" correspondem à Doutrina Espírita?


Uma reportagem do programa Fantástico (Rede Globo de Televisão) reacendeu um velho debate no meio espírita, que também sucinta muita curiosidade e dúvidas nos menos familiarizados com a Doutrina Espírita, com uma forte carga emocional, principalmente sobre aqueles que têm um apego especial para com os seus bichos de estimação.

Antes de tudo, convidamos a todos a assistirem à reportagem:


Bem, a dedicação especial aos animais e a terapia magnética dos passes espíritas que esta casa espírita oferece são ações bem vistas e não causam muita estranheza. No entanto, a polêmica gira em torno das "psicografias dos animais".

A reportagem diz que "os bichos dão comunicações" através de guias espirituais, que então repassam aos médiuns da casa as "notícias" da vida animal no além.

Acontece que a codificação espírita, sistematizada originalmente por Allan Kardec, em corroboração com os grandes clássicos da literatura espírita, vai de encontro com a ideia dessas psicografias exatamente pela simples razão de que não há vida animal no planos dos Espíritos.

Na obra basilar da doutrina, O Livro dos Espíritos, os instrutores espirituais deixam claro que os animais não têm qualquer atividade intelectiva na erraticidade  quer dizer, no intervalo entre as reencarnações. Para tanto, recomendamos a todos em especial a leitura das questões a partir da enumerada em 592. Mas, apenas para ilustração, destacamos a questão 600:

(Allan Kardec) Sobrevivendo ao corpo em que habitou, a alma do animal vem se encontrar depois da morte num estado de erraticidade, como a do homem?(Guias espirituais) “Fica numa espécie de erraticidade, pois que não mais se acha unida ao corpo, mas não é um Espírito errante. O Espírito errante é um ser que pensa e age por sua livre vontade. Os animais não dispõem dessa mesma capacidade. A consciência de si mesmo é o que constitui o principal atributo do Espírito. O do animal, depois da morte, é classificado pelos Espíritos a quem cabe essa tarefa e utilizado quase imediatamente. Não lhe é dado tempo de entrar em relação com outras criaturas.”

E, antes de tudo, é preciso também levar em conta que o que se grafa aqui como "alma do animal" não é equivalente á alma humana, no caso, o Espírito, o ser espiritual desencarnado.

Pelo apanhado de grande parte de estudiosos espíritas, "animais vistos no plano espiritual", conforme citações de obras mediúnicas, como as de André Luiz, pela psicografia de Chico Xavier, não passam de formas plásticas, como que criações holográficas, usadas para causar um impacto visual nos Espíritos recém-desencarnados, para "ambientá-los" à nova condição existencial; nada disso seria real; não são animais, mas simples formas criadas por Espíritos.

Para entender mais sobre a "alma dos animais", recomendamos também o programa Revolução Espírita:



Além dessa polêmica, há ainda uma antiga discussão sobre o excessivo apego de algumas pessoas aos animais de estimação, que muitas vezes refletem uma certa dose de misantropia, quer dizer, aversão a gente, pessoas, seres humanos. Essa aversão frequentemente é reflexo de alguma grande decepção envolvendo uma pessoa ou um grupo social (amor não correspondido, infertilidade, suposta falta de apoio e proteção, etc.). Na "falta de gente a quem se ame ou de quem ser amado", o misantropo de alguma forma transfere seu carinho e sua atenção para um bicho, sob uma "garantia psicológica" de que este não lhe decepcionará. Nesse caso, o suposto "amor aos animais" se parece mais com uma fuga, tanto que, de comum, não é um amor estendido a todos os animais, mas sim a um exemplar específico — "o seu bicho particular".

Eis, portanto, subsídios para nosso estudo e reflexão.

E você? O que acha?

Deixe seu comentário.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Lançamento na Sala de Leitura: "Bezerra de Menezes" de Canuto Abreu


Nossa Sala de Leitura acaba de ser incrementada com mais um novo título. Desta vez, é uma obra biográfica, tendo como personagem principal o saudoso Bezerra de Menezes, conhecido como "médico dos pobres", que, além de doutor foi militar e politico de grande influência no Rio de Janeiro.

Nascido católico, redescobriu-se espiritualmente após a leitura de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. Declarando-se espírita, devotou o resto da vida na divulgação do Espiritismo e trabalhando pela unificação dos esforços das várias correntes ideológicas que se formaram no Brasil a partir da obra kardequiana.

Veja a sinopse:

BEZERRA DE MENEZES - Canuto Abreu
Este livro "Bezerra de Menezes - Subsídios para a História do Espiritismo no Brasil desde o ano de 1895" é a reunião de artigos originalmente publicada por Canuto Abreu na revista Metapsíquica durante a década de 1930.
Contém, em paralelo com a biografia do famoso 'Médico dos Pobres', como era conhecido o Dr. Bezerra de Menezes, um histórico das raízes do Movimento Espírita Brasileiro, incluindo a fundação da FEB - Federação Espirita Brasileira, da qual o Dr. Bezerra foi presidente.
É, portanto, uma obra importante para que conheçamos melhor a História do Espiritismo no Brasil e o desenvolvimento das pioneiras instituições fundadas para o seu desenvolvimento.
Em razão dessa grande contribuição doutrinária, que foi a vida e obra de Bezerra de Menezes, convidamos a todos a viajarem pelas letras do escritor Canuto Abreu e conhecer melhor aquele médico e apóstolo do Cristo em nossa terra, bem como aprofundar nossos conhecimentos historiográficos acerca de nossa amada Doutrina Espírita.


Clique aqui para acessar o livro em formato digital.

Além disso, conheça também a biografia do referido autor, Canuto Abreu, na Enciclopédia Espírita Online.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Poesia Espírita: "Quantas vidas vive um artista?"


Achamos lindo esse trabalho e por isso compartilhamos com todos: uma poesia espírita intitulada "Quantas vidas vive um artista?", composição de Clainton Freitas, sob inspiração espiritual.



Visite a página ArtEspirita e descubra mais sobre os trabalhos de divulgação da arte espírita de Claiton Freitas.



sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Kardec e a divergência na forma de escrever o seu nome civil


O pesquisador espírita mineiro Paulo Neto nos brinda com um magistral trabalho realizado a respeito do nome civil do Prof. Rivail, que mais tarde gravaria seu nome na História mundial como o Codificador do Espiritismo, assinando pela insígnia Allan Kardec.

Confiram:

Kardec e a divergência na forma de escrever o seu nome civil

Ao longo do tempo, vínhamos observando que o nome civil de Allan Kardec apresentava, para nossa surpresa, uma variação na ordem das palavras que o compõem. Até então, não havíamos nos preocupado muito com isso, entretanto, ao preparar a palestra "Terceira Revelação – Espiritismo e Kardec", para ser apresentada no Grupo Espírita de Fraternidade Albino Teixeira, em Belo Horizonte, MG, voltamos a perceber essa divergência, daí resolvemos pesquisar para tentar conhecer as causas disso, porquanto intrigou-nos demais tal fato.

Estaremos apenas levantando a questão da ordem das palavras, portanto, não iremos buscar informações sobre usar “z” ao invés de “s” em Denisard, um “p” ou dois “pp” e “i” ao invés de “y” em Hypolite, fatos que estamos registrando para que você leitor tome ciência disso.

Quando formos referenciar os documentos usaremos a numeração que colocamos em cada fonte, conforme constam nas Referências bibliográficas.

Vamos denominar de “Documentos oficiais”, aqueles produzidos por órgão público ou particular encarregado de algum tipo de registro e “Documentos não oficiais” os provenientes de outras fontes, incluindo, aí algumas produzidas pelo próprio Kardec.

Nos documentos oficiais temos:


Então, aqui os termos “Denisard” e “Léon” não são mantidos na mesma ordem, sendo que o primeiro a variação dá-se na metade das ocorrências. Via de regra, dar-se-ia preferência ao que se utilizou na certidão de nascimento, caso na França seguisse o que ocorre aqui no Brasil nesse particular.

Mais à frente iremos apresentar a imagem constante na obra, da qual foram tomados todas as ocorrências; porém, algo já nos chamou a atenção na certidão de nascimento: qual é a razão da virgula depois de Denisard?

Novamente, apenas para registro, observe que na certidão de óbito de Kardec lê-se Denisart e não Denisard, ou seja, em lugar do “d”, apareceu-nos um “t”.

Vejamos agora como consta o nome de Kardec nos documentos não oficiais:


Nas três ocorrências, onde Kardec não assinou o nome todo, ele coloca as iniciais exatamente na ordem que utilizou em seu testamento, que, por sua vez, é quase idêntica à que consta do Novo Dicionário Universal, publicado por Maurice Lachâtre (1814-1900), a não ser pela troca do “y” pelo “i” e o uso de dois “pp”.

Vejamos como alguns autores das fontes, que foram por nós utilizadas, tratam dessa questão.

Jorge Damas Martins (1957- ) e Stenio Monteiro de Barros (1945- ) se limitaram a apresentar o nome conforme consta da certidão de nascimento, da qual apresentam um fac-símile, que iremos mostrar mais à frente.

Przemyslaw Grzybowski (1968- ) também menciona a diferença na ordem e opta por aquela utilizada por Kardec, justifica dizendo que foi ela que o Codificador assinou em suas obras.

Zêus Wantuil (1924- 2011) e Francisco Thiesen (1927-1990), em nota explicativa sobre primeiro livro de Kardec – Cours Pratique e Theórique d'Arithmétique, d'apres la méthode de Pestalozzi, informam: 
Tanto nesta quanto em todas as demais obras pedagógicas do mesmo autor, seu nome está sempre estampado abreviadamente, como se segue: H. L. D. Rivail, o que vem patentear, a olhos vistos, a maneira por que ele dispunha o seu nome, ou seja: Hippolyte Léon Denizard Rivail, fato para o qual o Dr. Canuto Abreu, ilustre espírita brasileiro, já chamava a atenção na revista “Metapsíquica” de 1936, p. 112, dizendo que Hippolyte aparecia ainda como prenome nos registros de batismo e de casamento, bem assim nos documentos públicos em que ele lançava o seu nome por extenso ou abreviado. (WANTUIL e THIESEN, vol. I, 2004, p. 96)
E mais à frente, no capítulo “Kardec e o seu nome civil”, apresentam várias considerações pelas quais justificam optar por Hippolyte Léon Denizard Rivail, que será bem interessante ao presente estudo, porquanto elenca a lista, objeto de sua consulta, razão pela qual transcrevemos o seguinte trecho:
[…] importa fazer algumas observações preliminares:a) Tanto a certidão de nascimento (sic) quanto o registro de batismo do futuro Allan Kardec inscrevem Denizard(124) e cremos que também assim o faz o contrato de casamento(125).b) Por ocasião do passamento de Kardec, a "Revue Spirite" de 1869 publicou a páginas 130 um artigo da Redação intitulado -"Biographie de M. Allan Kardec", Aí aparece escrito, em grifo - Léon-Hippolyte-Denizart Rivail.Dois grandes discípulos de Kardec - Camilo Flammarion e Léon Denis - escreveram de maneira diferente o nome do mestre lionês.O primeiro, no seu “Discours prononcé sur la tombe d'Allan Kardec”, brochura editorada em 1869, apôs, em nota, ao pé da pág. 7: “Léon-Hippolyte-Denisart-Rivail”.O segundo, no “Prefácio” da 4ª edição da obra de Henri Sausse citada na nota (1), escreveu este período, à p. 8: Remarquons que mon nom est enchâssé dans celui d'Allan Kardec qui s'appelait en réalité: Hippolyte, Léon, Denisard Rivail”.c) A velha, mas sempre consultada obra de J.-M. Quérard - “La France Littéraire ou Dictionnaire Bibliographique (...)”, Paris, tomo VIII (1836), p. 58, registou: “Rivail (H. L. D.)”; o tomo XII (1859-64), p. 450, escreveu: “RIVAIL (Hippolyte-Léon Deriízart)”.d) o famoso "Dictionnaire Universel des Contemporains, contenant toutes les personnes notables de la France et des pays étrangers”. de G. Vapereau, Paris, regista em sua 3ª edição (1865), inteiramente refundida e consideravelmente aumentada, pp. 31/2, e na 4ª edição (1870), p. 30: “Allan-Kardec (Hippolyte-Léon-Denizard Rivail, dit)”...O pseudônimo Allan-Kardec, conforme se lê no Prefácio datado de 1/12/1861, só entrou para o Dicionário de Vapereau a partir de sua 2ª edição, dada a público provavelmente entre 1861 e 1863.A quinta edição desta obra (1880) não inscreveu o nome Allan Kardec, mas a sexta edição (1893) traz, no pé da p. 26, a mesma grafia que demos acima para o nome de Kardec.e) O “Catalogue Général de la Librairie Française”, redigido por Otto Lorenz, Livreiro, escreve no tomo I, Paris, 1867, p. 27: “Allan Kardec, nom fantastique adopté par M. H.L.D. Rivail”; no tomo IV, Paris, 1871, p. 240: RIVAIL (Léon Hippolyte Denisart); no tomo V (tome premier du Catalogue de 1866-1875), Paris, 1876, p. 15: ALLAN KARDEC. Pseudonyme de H. L. D. Rivail.f) “Les Supercheries Littéraires dévoilécs”, par J. M. Quérard, segunda edição, consideravelmente aumentada, publicada pelos Srs. Guslave Brunet e Pierre Jannet, seguida (…), assim regista no tomo I, primeira parte (1869), a pp. 266: “Allan Kardec (Hipp.-Léon Denizart RIVAIL), ancien chef d'institution, à Paris (…)”g) O “Nouveau Dictionnaire Universel”, por Maurice Lachâtre, s. d.126, Paris, tomo primeiro, p. 199, regista: “Allan Kardec (Hippolyte-Leon-Denizard Rivail)”, fazendo a seguir longa biografia do Codificador.h) O “Orand Dictiormaire Universel du XIXe Siecle”, por M. Pierre Larousse, Paris, tomo nono (1873), regista: "Kardec (Hippolyte-Léon-Denizard Rivail, plus connu sous le pseudonyme d'Allan)”...i) Faz exatamente o mesmo o “Nouveau Larousse Illustré” (1897-1904), publicado sob a direção de Claude Augé, tom V. j) O “Dictionnaire Biographique et Bibliographique”, por Alfredo Dantès, Paris, 1875, p. 26, escreve: “Allan Kardec (Hipp. Léon Denizard Rivail)...k) O “Manuel Bibliographique des Sciences Psychiques ou Occultcs”, por Albert L. Caillet L C., Paris, 1912, regista:Tomo I, p. 28: “RIVAIL (Hippolyte-Léon-Denizard)”...Tomo II, p. 487: “Hippolyte Léon Denizard Rivail”...Tomo III, p. 407: “RIVAIL (Hippolyte-Léon-Denizard) dit Allan Kardec”...l) O “Dictionnaire de Biographie Française", Paris, inclui no tomo segundo (Alíénor-Antlup), 1936. sob a direção de J. Balteau (Agrégé d'Htstoire), de M. Barroux (Archiviste paléographe, directeur honoraire des Architves de la Seine) e M. Prevost (Archiviste paléographe. conservateur adjoint à la Bibliotheque Nationale), com o concurso de numerosos e cultos colaboradores, inclui, como dissemos, na p. 98, o pseudônimo Allan Kardec, escrevendo-lhe assim o nome, de acordo com o registro de nascimento: “Denizard, Hippolyte, Léon Rivail”...m) O “Nouveau Dictionnaire Encyclopédique Universel Illustré”, sob a direção de Jules Trousset (3º vol.), escreve: "KARDEC (Hippolyle-Léon-Denizard RIVAIL)”...n) “La Grande Encyclopédie”, por uma "Société de Savants et de Gens de Lettres" (1885-1902), escreve no volume 28: "RIVAIL. (Hippolyte-LéonDenizard)”...o) O tomo II (1900), coluna 319, do "Cataloque Général des livres imprimés de la Bibliothèque Nationale”, Paris, regista assim o nome de Allan Kardec: Hippolyte-Léon-Denizard Rivail. Nas colunas seguintes, o mesmo "Catálogo", ao relacionar-lhe as obras pedagógicas, põe sempre: H.-L.-D. Rivail.Apenas por essa amostra, incompleta. podem os leitores verificar haver uma quase unanimidade na maneira de se grafar a palavra principal em estudo._______
(124) Henri Sausse - “Biographie d'Allan Kardec” (Nouvelle Édition), 1910, p. 12; 4me édition (1927), pp. 18 e 19.(125) idem, ibidem, p. 14; id. ib., p. 22.(126) O Dicionário não traz a data de publicação, nem no primeiro nem no segundo e último tomo. Ramiz Galvão coloca-lhe o aparecimento em 1865-1870.(WANTUIL e THIESEN, vol. I, 2004, p. 228-231) (grifo nosso).
O escritor Jorge Rizzini (1924-2008), mantém-se firme na escolha do nome que consta da certidão de nascimento, alegando que é esse que vale, por originar de documento oficial. Além disso, ele tece as seguintes considerações sobre a pesquisa de Wantuil:
Quer Zeus Wantuil que o nome civil de Kardec seja “Hippolyte León Denizard Rivail”. Entre seus argumentos destaca o registro de batismo e o de casamento. O primeiro nada representa, afirmemos logo. A certidão de nascimento, sim, pois é expedida pelas autoridades do país. Ninguém pode provar a filiação e a autenticidade de seu nome senão através da certidão de nascimento; com ela é que se obtêm os demais documentos.Resta a certidão de casamento, na qual, muito estranhamente, se apoia Zeus Wantuil – estranhamente, repetimos, porque ninguém, que no Brasil quer no estrangeiro, divulgou-a. Mas, é óbvio, Allan Kardec não poderia casar-se no civil sem antes apresentar sua certidão de nascimento; mesmo que se casasse na igreja teria que fazê-lo. Assim, na certidão de casamento de Kardec há de constar, também, seu verdadeiro nome: Denizard Hippolyte León Rivail. (RIZZINI, 1995, p. 11).
Infelizmente o companheiro Jorge Rizzini restringiu demais a base de Zêus Wantuil, que, como vimos logo acima, é bem mais extensa do que aquela que nos quer fazer crer Rizzini, inclusive, nela se vê que a grande maioria das fontes citadas por Wantuil utiliza Hippolyte Léon Denizard Rivail.

Quanto à certidão de casamento, que Rizzini alega que nela deve constar o nome da certidão de nascimento, que supõe que teria sido apresentada, parece-nos que se deu justamente o contrário, pois observa-se que, na certidão de casamento, consta exatamente a grafia não aceita por Rizzini; mas aquela defendida por Wantuil, ou seja, Hippolyte Léon Denizard Rivail.

Oportuno, também, ressaltar que não é só Wantuil que cita a certidão de casamento, podemos encontrá-la em Jorge Damas e Stenio Monteiro, que, inclusive, apresentam um fac-símile dela (MARTINS e BARROS, 1999, encarte entre as páginas 50 e 51).

Na revista Reformador encontramos o texto “Allan Kardec e o seu Nome Civil” (p. 24-28) de autoria de Washington Luiz Nogueira Fernandes (?-), do qual iremos transcrever e, conforme o caso, comentar alguns trechos:
Nossa visão destes assuntos sempre foi mais documental, e não literária.Assim, de posse de cópias dos documentos civis e certidões, isto é, de Fontes Primárias de informação, tudo seria esclarecido, não importando debates linguísticos, ou o que consta em livros de terceiros, que já seriam Fontes Secundárias, portanto, de valor menor, no tocante a esse assunto. (FERNANDES, 2000, p. 24).
Concordamos plenamente com o autor, e reconhecemos a nossa dificuldade em não ter as fontes originais, entretanto, a coisa não é tão tranquila assim, pois mesmo naqueles que dizem ter as essas fontes, encontramos problemas como ver-se-á mais à frente ao apresentarmos fac-símile da certidão de nascimento de Kardec.
Com relação ao nome civil, positivamente, o que vale é o registro de nascimento, que justamente atribui nome e personalidade civil a alguém. O Código Napoleônico francês (1804) somente fez breves referências a esta matéria, sendo depois completada pelos textos das leis intermediárias e pela jurisprudência.Se, por acaso, o nome no registro de nascimento fosse feito com algum erro linguístico, semântico, etc., o seu dono teria que carregar este nome até o fim da vida, em qualquer lugar do mundo, ressalvado o caso de alterá-lo.Foi o Ato de Nascimento que atribuiu existência civil a Rivail, e através do qual ele recebeu um nome e identidade. Citações em dicionários, enciclopédias e catálogos referentes a este nome, ainda que publicados no decorrer da vida de Rivail, valeriam apenas como um registro cultural ou filológico, sem nenhum alcance para o registro civil. (FERNANDES, 2000, p. 25).
Está coberto de razão, entretanto, devemos buscar conhecer mais certos detalhes que podem mudar aquilo que julgamos ser correto. No caso da certidão de nascimento, inclusive, o próprio autor constata isso neste texto, após Denizard há uma vírgula, e esse pequeno sinal gráfico pode mudar tudo. Sobre esse detalhe, argumenta Washington Luiz, em sua conclusão:
— Definitivamente, o verdadeiro nome, e o registro civil de Allan Kardec é:Denisard Hypolite Léon Rivail; observamos que a vírgula após o prenome Denisard é um procedimento usado ainda hoje nas certidões de nascimento francesas, que colocam, aliás, vírgula após cada termo do nome; se ele nascesse hoje, seria registrado como Denisard, Hypolite, Léon, Rivail, aparecendo uma vírgula após cada termo; não podemos confundir isto com citações bibliográficas, que colocam primeiro o sobrenome e depois a vírgula (Ex: Kardec, Allan), porque são coisas totalmente diferentes. Portanto, para efeito de saber o nome correto de alguém, à vista de sua certidão de nascimento francesa, pode-se ignorar a vírgula em sua certidão; (FERNANDES, 2000, p. 27) (grifo nosso).
Estaria tudo certo não fosse o que nos traz Júlio Abreu Filho (1893-1971), quanto à questão da vírgula:
Há entre os espíritas uma certa confusão quanto ao nome do Codificador, por falta de acomodação entre o sistema francês e o nosso de citar o nome das pessoas. Para uns o menino em questão era Léon, para outros Denizard e, ainda para um terceiro grupo, Hippolyte. É que, de um modo geral, nós ignoramos que:I – na França é comum acrescentar-se ao prenome do menino o de um ou dois avós;II – nas famílias nobres esse acréscimo se torna abusivo;III – por vezes adiciona-se ao prenome do ascendente masculino o do padrinho;IV – nos documentos oficiais é praxe escrever em primeiro lugar o nome da família e depois os prenomes.Assim, no caso vertente, o prenome é Hippolyte; os prenomes adicionais, Léon e Denizard e o nome de família, Rivail. Comumente se escreve Hippolyte-Léon-Denizard Rivail, enquanto que nos documentos oficiais escrever-se-ia Rivail Hippolyte-Léon-Denizard.E, escrevendo certo, justo é se exija a pronúncia correta.Perdoem-nos os espíritas a exigência: é que não compreendemos não se saiba grafar e, menos ainda, pronunciar nome tão respeitável e que nos é sobremaneira caro. Seria uma falta de respeito. (ABREU FILHO, 1995, p. 9-10) (grifo nosso).
Nota-se que não são concordantes as opiniões de Washington Luiz e Júlio Abreu, quanto à questão da vírgula, embora, a deste último pareceu-nos mais coerente, apesar da forma proposta não ser exatamente a que consta da certidão de nascimento.

Um pouco atrás falamos da dificuldade dos que se lançam a pesquisar os fatos em ter em mãos as fontes originais, o que hoje já não se justifica, porquanto, com todos os recursos de informática disponíveis, esses documentos já deveriam estar disponibilizados em algum site de alguma das Instituições que dizem representar o Movimento Espírita.

Para se ter uma boa ideia, dessa dificuldade, vejamos, por exemplo, a certidão de nascimento de Kardec. Conseguimos três fac-símiles; dois nas obras que utilizamos e um na Internet[1], aqui estão:




Comparando-se as duas primeiras, vemos claramente que a fonte não pode ter sido a mesma, pois há diferença entre elas, especialmente, quanto à letra, que, embora seja muito semelhante não é a mesma. Fora a questão do local onde consta os selos. A segunda e a terceira, também, bem semelhantes não têm o nome de Kardec da mesma forma e disposição.

Fato que você, caro leitor, poderá pessoalmente constatar. O problema é que todos são tidos como originais, o que nos fez lembrarmos da frase atribuída a S. Jerônimo: “A verdade não pode existir em coisas que divergem”.

Certamente, que nem temos condições técnicas para apontar qual é a ordem correta; porém, mesmo assim arriscaríamos em dizer que é a ordem utilizada pelo próprio Kardec no seu testamento, por razões, bem simples, por sinal:

1ª) geralmente que fornece o nome da criança na ocasião do batismo são os próprios pais, então, o nome que consta da certidão de batismo, presumimos que foram os pais de Kardec que o informaram ao pároco, e, certamente, não dariam o nome errado;

2ª) seria totalmente fora de propósito que o pai de Kardec, o juiz Jean Baptiste Antoine Rivail, como magistrado iria orientar o filho a escrever um nome que não fosse o verdadeiro;

3ª) não acreditamos que o próprio Kardec escrevesse seu nome errado, porquanto, portador de uma considerável cultura, isso, segundo pensamos, o impediria de utilizar uma ordem diferente da real;

4ª) a vírgula depois de Denisard, constante da sua certidão de nascimento, que não faz sentido se a ordem do nome de Kardec iniciasse com esse prenome, em função dessa posição levaria o nome para Hypolite Leon Rivail, Denisard ou talvez para Hypolite Leon Denisard Rivail, que é exatamente aquela com a qual Kardec assinava.

E, para finalizar, gostaríamos de deixar claro que não temos nenhuma intenção de que todos abracem essa forma com a qual estamos vendo o caso e, além disso, não queremos contestar ninguém que já escreveu sobre esse assunto, pois estamos apenas juntando as pesquisas realizadas, para que o leitor, ávido de conhecimento, possa tê-las reunidas num só lugar.

Paulo da Silva Neto Sobrinho
Mar/2012.

Referência bibliográfica:

(1) ABREU FILHO, J. O principiante espírita. São Paulo: Pensamento, 1995.
(2) FERNANDES, W. L. N. Allan Kardec e o seu nome civil. in. Reformador, ano 118, nº 2052. Rio de Janeiro: FEB, março 2000, p. 24-28.
(3) INCONTRI, D. e GRZYBOWSKI, P. (org) Kardec Educador. Bragança Paulista, SP: Ed. Comenius, 2005.
(4) LACHÂTRE, M. Allan Kardec in. COSTA NUNES, B. H et al. Em torno do Rivail. Bragança Paulista, SP: Lachâtre, 2004.
(5) MARTINS, J. D. e BARROS, S. M. Allan Kardec: análise de documentos biográficos. São Paulo: Lachâtre, 1999.
(6) RIZZINI, J. Kardec, irmãs Fox e outros. Capivari, SP: EME, 1995.
(7) WANTUIL, Z. e THIESEN, F. Allan Kardec: o educador e o codificador, vol. I. Rio de Janeiro: FEB, 2004.
(8) WANTUIL, Z. e THIESEN, F. Allan Kardec: o educador e o codificador, vol. II. Rio de Janeiro: FEB, 2004.

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[1] http://forcadaluz.pro.br/receitas/alan_kardec.html, artigo intitulado Allan Kardec assinado por T. L. Castro.


Saiba mais sobre Allan Kardec na Enciclopédia Espírita Online.

Clique aqui para visitar o site oficial do pesquisador Paulo Neto.