terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Sala de Leitura: lançamento de "Discursos Recentes sobre as Pesquisas Psíquicas" de William Crookes.


A Luz Espírita acaba de reforçar sua Sala de Leitura com mais uma obra de grande valor: "Discursos Recentes sobre as Pesquisas Psíquicas" de William Crookes.

Confira o resumo do livro:
O nobre Sir William Crookes, condecorado cavaleiro real pela coroa britânica por suas contribuições à Ciência, notável físico e homem de caráter, um dos mais respeitados cientistas de seu tempo, não se furtou ao desafio de averiguar os fenômenos psíquicos que escandalizavam a comunidade acadêmica de meados do século XIX às primeiras décadas do século XX, com a intenção de lançar luz sobre as controvérsias.
Diante dos fatos, a contragosto da maioria de seus pares, cientistas inclinados ao materialismo, ele asseverou as evidências da existência de uma força extrassensorial, tal como pode ser visto nesta obra.
É, portanto, um testemunho da uma categoria elevada, que muito influenciou gerações seguintes de pesquisadores da espiritualidade. Um tributo — ainda que indireto — à causa do Espiritismo, que merece nossa apreciação.

Saiba mais sobre Sir William Crookes pela Enciclopédia Espírita Online.

Clique aqui para ler online ou baixar agora mesmo o livro virtual "Discursos Recentes sobre as Pesquisas Psíquicas" de William Crookes.

sábado, 13 de janeiro de 2018

Liberado o trailer do filme-documentário: "Espiritismo à Francesa: a derrocada do Movimento Espírita na França pós-Kardec"


Já está online o trailer do filme-documentário: "Espiritismo à Francesa: a derrocada do Movimento Espírita na França pós-Kardec"Liberado o trailer do filme-documentário: "Espiritismo à Francesa: a derrocada do Movimento Espírita na França pós-Kardec", produção da Luz Espírita, coproduzida pelos confrades amigos do site Autores Espíritas Clássicos e do canal ArtEspírita.

Assista-o pela janela adiante:


Lembrando que o lançamento do filme será domingo dia 21 deste mês de janeiro, 2018, com acesso livre através do nosso Portal Luz Espírita.

Mais detalhes aqui...

Calendário Histórico Espírita: aniversário de desencarnação de Andrew Jackson Davis


Andrew Jackson Davis (Blooming Grove, Nova Iorque, 11 de agosto de 1826 — Watertown, Massachusetts, 13 de janeiro de 1910) foi um clarividente norte-americano, autor de The Principles of Nature, Her Divine Revelations and a Voice to Mankind, dentre outros livros. Previu a chamada "invasão organizada de Espíritos", que daria início à mediunidade moderna e o surgimento do movimento Espiritualismo Moderno, precursor da Doutrina Espírita.

Confira mais datas festivas e de eventos de interesse à História do Espiritismo na página Calendário Histórico Espírita.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Calendário Histórico Espírita: aniversário de nascimento de Johann Heinrich Pestalozzi


Johann Heinrich Pestalozzi (Zurique, 12 de janeiro de 1746 — Brugg, 17 de fevereiro de 1827) foi um pedagogista suíço e educador pioneiro da reforma educacional, mestre da formação escolar de Hyppolite-Léon Denizard Rivail, que mais tarde seria conhecido pelo pseudônimo Allan Kardec, codificador da Doutrina Espírita.

Confira mais datas festivas e de eventos de interesse à História do Espiritismo na página Calendário Histórico Espírita.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Enciclopédia Espírita Online - novo verbete: "Charlatanismo"


Mais um verbete acrescentado à Enciclopédia Espírita Online: "Charlatanismo". Veja o resumo:
Charlatanismo, ou charlatanice, é a prática de exploração da credulidade pública associada à venda, propaganda ou prenúncio de uma pretensa cura por vias fraudulentas, comumente descrito como exercício ilegal da medicina, curandeirismo. A exemplo do que ocorre em muitas nações, charlatanismo é tipificado no artigo 283 do Código Penal Brasileiro como crime contra a incolumidade pública. Na codificação espírita, Allan Kardec tratou dos charlatões como aqueles que simulam capacidades mediúnicas: os falsos médiuns, embusteiros, prestidigitadores, naturalmente inclinados ao interesse material.
Trata-se de um tópico muito importante, pois diz respeito ao desenvolvimento do Movimento Espírita e, portanto, à propagação das ideias da espiritualidade para a regeneração da Humanidade.

Acesse agora mesmo o verbete "Charlatanismo" na Enciclopédia Espírita Online.

E não deixe de compartilhar!

domingo, 7 de janeiro de 2018

Lançamento do filme-documentário "Espiritismo à Francesa: a derrocada do Movimento Espírita na França pós-Kardec"


Temos a satisfação de anunciar o lançamento do filme-documentário "Espiritismo à Francesa: a derrocada do Movimento Espírita na França pós-Kardec", produzido pela Luz Espírita.

O filme estará no ar no nosso Portal Luz Espírita no domingo, dia 21 de janeiro deste 2018,

Como já havíamos anunciado, essa produção trata dos principais desdobramentos envolvendo o Movimento Espírita original, na França, na passagem do século XIX para o século XX, a partir da desencarnação do codificador do Espiritismo Allan Kardec.

O roteiro é de Louis Neilmoris, com direção e apresentação de Ery Lopes e participação especial dos comentaristas: Adriano Calsone (médium, escritor, autor de "Em Nome de Kardec"), Antonio Cesar Perri de Carvalho (ex-presidente da Federação Espírita Brasileira e da USE-SP), Carlos Campetti (diretor da área de estudos da Federação Espírita Brasileira), Jorge Hessen (escritor e dirigente fundador do Posto de Assistência Espírita, Taguatinga-DF), Oceano Vieira de Melo (diretor da Versátil Home Filmes) e Paulo Henrique de Figueiredo (autor de "Revolução Espírita: a teoria esquecida de Allan Kardec").

ERRATA: Através do nosso newsletter, tínhamos anunciado erradamente o lançamento para a dia 14 deste janeiro, pelo que pedimos desculpas, confirmando a data correta: a partir de 21 de janeiro de 2018, o filme estará livremente acessível em nosso Portal Luz Espírita (www.luzespirita.org.br).

Colabore com a divulgação.

Dr Gary Shwartz (PhD) e a sua pesquisa sobre Mediunidade


Em um seminário promovido na George Washington University, na capital dos Estados Unidos da América, um cientista — viciado em ciência mesmo, como o próprio diz — fala francamente em espiritualidade e apresenta suas pesquisas científicas, com auxílio de alta tecnologia, acerca das intervenções mediúnicas para, objetivamente, verificar a existência real de Espíritos.

Este cientista é o Dr. Gary ShwartzPhD em medicina formado em Harvard, professor de psicologia, medicina, neurologia, psiquiatria e cirurgia na universidade do Arizona, EUA. É autor de centenas de artigos científicos e, sobre espiritualidade, já publicou três livros: The Afterlife Experiments (Os Experimentos da Vida Pós-Morte), The Thuth About Medium (A Verdade Sobre os Médiuns) e The Sacred Promise (A Promessa Sagrada).

Vale a pena conferir essa palestra:



Não esqueça de contribuir com a causa espírita compartilhando nossos posts.

sábado, 6 de janeiro de 2018

150 de lançamento do livro "A Gênese"


Neste 6 de janeiro, estamos comemorando os 150 de lançamento do livro A Gênese, de Allan Kardec, uma das obras básicas da codificação do Espiritismo. E no ensejo desta data especial, temos acompanhado importantes atividades envolvendo essa obra, por exemplo, o trabalho literário de Simoni Privato Goidanich "El Legado de Allan Kardec", em espanhol, recolocando em cena o lamentável fato de A Gênese original do codificador espírita ter sido adulterada a partir da 5ª edição, então sob responsabilidade de Pierre-Gäetan Leymarie. Isto porque o biógrafo de Kardec, Henri Sausse, já o havia denunciado através do revista Le Espiritisme, período da antiga União Espírita Francesa. Agora, no entanto, Simoni Privato apresenta-nos não só as alterações, mas também os modos como elas foram feitas.

Veja o vídeo em que Simoni nos mostra a cópia original de A Gênese depositada pelo próprio Allan Kardec nos arquivos oficiais da Biblioteca Nacional da França.


Saiba mais sobre a autora de "El Legado de Allan Kardec".

Também no bojo dessa temática, reproduzimos aqui o artigo "150 anos de A Gênese - a fidedignidade das primeiras edições" por Antonio Cesar Perri de Carvalho, que igualmente vale nossa atenção.

E qual é o valor de A Gênese para a codificação espírita?

Bem, primeiramente, é válido destacar que sua publicação, em 1868, se dá 11 depois do lançamento de O Livro dos Espíritos — que marca o ponto inaugural da própria Doutrina Espirita — e dos primeiros desdobramentos que essa obra gerou, num momento tal em que Allan Kardec também já estava mais amadurecido quanto ao desenvolvimento do Espiritismo. Ali, em A Gênese, portanto, nós encontramos um melhor desenrolar dos estudos acerca dos conceitos científicos (é bom destacar que já havia sido trazida à lume a teoria da evolução das espécies de Charles Darwin) sobre pontos importantes e tocantes ao interesse doutrinário espírita.

A Gênese, cujo subtítulo é "Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo" traz a seguinte sinopse, contida na folha de rosto do livro: "A Doutrina Espírita há resultado do ensino coletivo e concordante dos Espíritos. A Ciência é chamada a constituir a Gênese de acordo com as leis da Natureza. Deus prova a sua grandeza e seu poder pela imutabilidade das suas leis e não pela ab-rogação delas. Para Deus, o passado e o futuro são o presente."

Seu conteúdo básico se divide em três partes:

  • A Gênese segundo o Espiritismo: discorre sobre a essência de uma revelação (para em seguida tratar das revelações de Deus aos homens), sobre a natureza de Deus e suas ações (a providência divina), sobre o bem e o mal, a origem e desenvolvimento do Universo (Uranografia e Geologia), a gênese espiritual e a tese da gênese mosaica (versão bíblica);
  • Os Milagres segundo o Espiritismo: faz uma definição de milagre e contextualiza os supostos "milagres" do Cristo, comparando-os com a manipulação dos fluidos;
  • As Predições segundo o Espiritismo: desenvolve a teoria espírita para o mecanismo da presciência, aborda as profecias dos Evangelhos bíblicos e fecha a obra com o magistral capítulo "São chegados os tempos", em que sintetiza a ideia da evolução dos mundos e da transição planetária da Terra.

Embora muito se diga que A Gênese é um livro "difícil de se ler", de conceitos complicados e tudo o mais, a verdade é que ele contém — apesar de tocar temas complexos — uma clareza impressionante da demonstração das ideias da espiritualidade sobre as questões de que trata, numa didática típica de Kardec, herança de uma vida dedicada à pedagogia, a arte de cuidar da educação relacionada com um todo, tal como foi o ofício do Professor Rivail.

Então, não por imposição, mas por naturalidade, o bom espírita sempre será interessado em ler e estudar periodicamente A Gênese de Allan Kardec.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Programa Evangelho no Lar Online


Nesta quinta-feira, às 20h (horário de Brasília), tem mais uma edição ao vivo do Programa Evangelho no Lar Onlineo nosso encontro familiar com Jesus e toda a espiritualidade, para um momento de reflexão, aprendizagem e confraternização espiritual em torno da Boa Nova trazida pelo Mestre de Nazaré, à luz do Espiritismo.

As videotransmissões são feitas ao vivo via YouTube e você pode acompanhá-las pelo link do YouTube Live, pela página inicial do nosso Portal Luz Espírita.

Participe conosco e nos ajude na divulgação.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

"150 anos de A Gênese - a fidedignidade das primeiras edições" por Antonio Cesar Perri de Carvalho


Comemoramos no dia 6 deste janeiro o 150° aniversário de lançamento do livro A Gênese de Allan Kardec, portanto, trata-se de uma data especial.

Ocorre, porém, que certos acontecimentos implicantes com relação a esta obra têm sido trazidos à luz do Movimento Espírita, a começar pela verificação de que seu conteúdo original fora alterado a partir da quinta edição, sob a condução de Pierre-Gäetan Leymarie — que havia assumido as funções de liderança do Espiritismo após a desencarnação do codificador espírita.

Recentemente, inclusive, anunciamos aqui o lançamento de El Legado de Allan Kardec, livro escrito pela pesquisadora espírita Simoni Privato, sob a chancela da Federação Espírita Argentina, que aborda com muita propriedade os acontecimentos envolvendo essa adulteração.

Ainda no ensejo desta temática, compartilhamos aqui o artigo assinado pelo respeitado ativista espírita Antonio Cesar Perri de Carvalho, ex-presidente da USE-SP - União das Sociedades Espíritas de São Paulo e da FEB - Federação Espírita Brasileira.

Ei-lo, para a apreciação de todos:



150 anos de A Gênese -
a fidedignidade das primeiras edições

A edição da Revista Espírita de janeiro de 1868 anunciava que o livro A Gênese estaria à venda no dia 6 de janeiro de 1868.

Com A Gênese completa-se o quinto volume das chamadas Obras Básicas da Codificação. Allan Kardec discorre sobre questões importantes que destaca no subtítulo: os milagres e as predições segundo o Espiritismo; e analisa a origem do planeta de acordo com as leis da Natureza e a interpretação espírita.

O exemplar da Revista Espírita, de fevereiro de 1868, trazia uma dissertação do Espírito São Luís sobre a nova obra:

“A religião, antagonista da Ciência, respondia pelo mistério a todas as questões da filosofia céptica. Ela violava as leis da Natureza e as adaptava à sua fantasia, para daí extrair uma explicação incoerente de seus ensinamentos. Vós, ao contrário, vos sacrificais à Ciência; aceitais todos os seus ensinamentos sem exceção e lhe abris horizontes que ela supunha intransponíveis. [...] A questão de origem que se prende à Gênese é para todos uma questão apaixonada. Um livro escrito sobre esta matéria deve, em consequência, interessar a todos os espíritos sérios.” [1]

Ao longo do ano de 1868 transcreveu vários trechos dessa nova obra na Revista Espírita. Surgem notícias sobre duas novas edições: 2ª edição (março) e 3ª edição (abril). Até a desencarnação de Kardec (1869), constam referências a três edições dessa Obra Básica do Codificador.[1, 2]

A maioria das traduções para o português foi feita a partir de edição francesa do ano de 1870, ou seja, após a desencarnação de Kardec, como as edições da FEB do IDE. Apenas a editora do Centro Espírita Léon Denis, do Rio Janeiro, lançou uma tradução da edição francesa de 1868.

Há dúvidas e polêmicas a respeito das edições dessa obra em francês, lançadas logo após a desencarnação do Codificador.

Recentemente, a Confederação Espírita Argentina (CEA) providenciou a edição em espanhol de versão pioneira de A Gênese, isto é, a lançada em janeiro de 1868. Ao mesmo tempo a CEA divulgou o resultado de estudos que estimulou, e divulgou em publicação lançada em Buenos Aires em outubro de 2017 e distribuiu uma carta explicativa durante reunião da Comissão Executiva do Conselho Espírita Internacional, ocorrida em Bogotá (Colômbia), em outubro de 2017, com divulgação de carta do presidente da Confederação Espírita Argentina. Consta a informação de que a tradução de A Gênese teria sido motivação de um questionamento em um momento da reunião do Conselho Federativo Nacional da FEB, em novembro de 2017.

A nosso ver são louváveis as providências do presidente da Confederação Espírita Argentina em divulgar o resultado do estudo que apoiou e em levar a questão ao CEI.

A CEA solicitou uma pesquisa à Sra. Simoni Privato Goidanich, junto aos Arquivos Nacionais da França e na Biblioteca Nacional da França, localizadas em Paris, assim como na própria CEA e na Associação Espírita Constancia, de Buenos Aires. A conclusão da pesquisa é que um único exemplar, publicado em 1868, foi depositado legalmente durante a existência física de Allan Kardec na Biblioteca Nacional da França. Assim o Codificador não teria modificado o conteúdo.[4] Estes esclarecimentos se encontram no livro El legado de Allan Kardec, de autoria de Simoni Privato Goidanich, lançado na sede da C.E.A., em Buenos Aires, aos 3/10/2017.5

Assim, reaparecem dúvidas que já existiam sobre a fidedignidade da versão francesa que serviu de base para as traduções de A Gênese.

Há suspeitas de que alguns trechos de A Gênese poderiam ter sido alterados provavelmente por Pierre-Gaëtan Leymarie (1827-1901). Com a desencarnação de Kardec, este dirigente passou a exercer as funções de redator-chefe e diretor da Revue Spirite (1870 a 1901), gerente da Librairie Spirite (1870 a 1897) e foi presidente da Sociedade para a Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec.[2, 6] Passou a cuidar das edições e autorizações de traduções de obras de Kardec.[2]

Inclusive, há o caso das traduções pioneiras das obras de Kardec, em nosso país. No princípio do ano de 1875, Pierre-Gaëtan Leymarie autorizou em carta ao dr. Joaquim Carlos Travassos a tradução das obras de Allan Kardec para o português, cuja correspondência foi publicada na Revista Espírita. Com exceção de A Gênese, Joaquim Carlos Travassos (1839-1915) utilizando o pseudônimo de "Fortúnio", traduziu para o português quatro obras básicas da Codificação, publicadas pela Editora B. L. Garnier, do Rio de Janeiro, em 1875 e 1876.6 Fato interessante foi o comentário de Zêus Wantuil em biografia sobre o tradutor Travassos: “[...]sem nos referirmos ao bom estilo do tradutor, é o judicioso esclarecimento, de fundo rustenista, que vem na obra ‘O Céu e o Inferno’...”[6] Há correspondências de Leymarie com a então novel Federação Espírita Brasileira e a 1ª edição da revista Reformador, de janeiro de 1883, noticia que ele representou a França em congresso ocorrido em Bruxelas, objetivando a criação de uma União Espiritualista Universal.[7]

Muitos fatos ressurgem agora com a tradução para o português de livro histórico e esgotado de autoria Berthe Fropo - Beaucoup de Lumière (1884) -, disponibilizado em edição digital bilíngue: a tradução em português e o original em francês. A autora foi espírita atuante, fiel aos ideais de Allan Kardec, muito amiga de Amélie Boudet, vizinha e apoiadora desta depois da desencarnação do codificador do Espiritismo.[2] Nesta obra fica clara a ação polêmica de Leymarie, que inclusive foi envolvido no histórico “processo dos espíritas”, relacionado com exploração das chamadas fotos de espíritos, em que foi condenado.

No referido livro, Berthe Fropo aborda pontos destacados do desvirtuamento doutrinário ocorrido no movimento espírita francês logo após a desencarnação de Kardec, comprometendo a continuação das obras do Codificador da Doutrina; fica claro que “com o aval de Amélie Boudet, Gabriel Delanne e Berthe Fropo se lançaram numa investida para reavivar os planos de continuação das obras de Kardec, que nas mãos de Leymarie haviam sido deturpados, por influência de ideologias outras, como o roustainguismo e — ainda mais fortemente — a mística doutrina da Teosofia de Madame Blavatsky e do Coronel Olcott.”[2]

Portanto, há indícios que robustecem as suspeitas sobre eventuais alterações promovidas por Leymarie em itens de A Gênese.

Nas edições da FEB, apenas a traduzida pelo Evandro Noleto Bezerra, também a partir da 5a edição francesa de 1870, traz uma nota de rodapé no item 67 do capítulo XV, anotando que há uma diferença com relação à edição de 1868, com Kardec ainda encarnado. Justifica que “ao revisar a obra com vistas à 4ª edição, Allan Kardec houve por bem suprimir o item 67 que constava nas edições anteriores”. Nessa nota de rodapé, de número 124, o tradutor Evandro transcreve o item suprimido em outras versões “pelo seu inestimável valor histórico, o item 67 das três primeiras de edições de A Gênese.[8] Porém como fica a afirmação de revisão da 4ª edição, feita por Allan Kardec?

Na edição do Centro Espírita Léon Denis, a tradutora Albertina Escudeiro Sêco, se baseia numa 4ª edição francesa, de 1868.

Essa tradutora do CELD introduz o item 67 original, a saber:

“67. A que se reduziu o corpo carnal? Este é um problema cuja solução não se pode deduzir, até nova ordem, exceto por hipóteses, pela falta de elementos suficientes para firmar uma convicção. Essa solução, aliás, é de uma importância secundária e não acrescentaria nada aos méritos do Cristo, nem aos fatos que atestam, de uma maneira bem peremptória, sua superioridade e sua missão divina. Não pode, pois, haver mais que opiniões pessoais sobre a forma como esse desaparecimento se realizou, opiniões que só teriam valor se fossem sancionadas por uma lógica rigorosa, e pelo ensino geral dos espíritos; ora, até o presente, nenhuma das que foram formuladas recebeu a sanção desse duplo controle. Se os espíritos ainda não resolveram a questão pela unanimidade dos seus ensinamentos, é porque certamente ainda não chegou o momento de fazê-lo, ou porque ainda faltam conhecimentos com a ajuda dos quais se poderá resolvê-la pessoalmente. Entretanto, se a hipótese de um roubo clandestino for afastada, poder-se-ia encontrar, por analogia, uma explicação provável na teoria do duplo fenômeno dos transportes e da invisibilidade. (O Livro dos Médiuns, caps. IV e V.).”

E surge um item 67, em geral ausente nas várias versões, e com uma renumeração aparece o item 68, identificado como item 67, nas demais traduções.[9]

De qualquer maneira persistem os recentes questionamentos que mencionamos. O ideal seria que as editoras das obras de Allan Kardec somassem esforços para se esclarecer as dúvidas que vêm sendo aventadas. Os 150 anos do lançamento de A Gênese, poderiam ter como marco a clara definição sobre a fidedignidade das versões das primeiras edições desta obra em francês e se acrescentar nota(s) explicativa(s) nas edições traduzidas para o português.
Antonio Cesar Perri de Carvalho

Referências:

1)  Kardec, Allan. Trad. Bezerra, Evandro Noleto. Revista Espírita. Ano XI. No. 1. 1868. Rio de Janeiro: FEB.

2)  Fropo, Berthe. Trad. Lopes, Ery; Miguez, Rogério. Muita luz. 1ª ed. Edição digital:  www.luzespirita.org.br; acesso em novembro de 2017.

3)  Kardec, Allan. Trad. Martínez, Gustavo N. La génesis. 1ª ed. Buenos Aires: Confederación Espiritista Argentina. 2017.

4)  Carta do presidente da Confederación Espiritista Argentina, Sr. Gustavo N. Martínez, de 14/10/2017, distribuída em reunião do Conselho Espírita Internacional, em Bogotá (Colômbia).

5)   Goidanich, Simoni Privato. El legado de Allan Kardec. goo.gl/Pgdiad; acesso em novembro de 2017.

6)  Wantuil, Zêus. Grandes espíritas do Brasil. 1.ed. Cap. Joaquim Carlos Travassos. Rio de Janeiro: FEB. 1969.

7)  Reformador, Ano I, n.1, 21 de Janeiro de 1883, p.1-4.

8)  Kardec, Allan. Trad. Bezerra, Evandro Noleto. A gênese. 1.ed. Cap. XV. Item 67. Rio de Janeiro: FEB. 2010.

9)  Kardec, Allan. Trad. Sêco, Albertina Escudeiro. A gênese. 3.ed. Cap. XV. Itens 67-68. Rio de Janeiro: Ed. CELD. 2010.

 Fonte: O Consolador