sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Mensagem do Espírito Bezerra de Menezes no CFN 2017, por Divaldo Franco


O site da FEB - Federação Espírita Brasileira divulga a transcrição de uma mensagem do Espírito Bezerra de Menezes por intermédio do médium Divaldo Franco, por ocasião do encerramento da reunião do Conselho Federativo Nacional da FEB, realizada em Brasília em 12 deste novembro.

Eis a mensagem do Dr. Bezerra:


VIGILÂNCIA E FIDELIDADE DA ÚLTIMA HORA

Filhos, filhas, todos da alma!

Metamorfoseando-se, o materialismo penetra em todos os ramos do conhecimento humano e as religiões não escapam da sua habilidade camaleônica, permitindo-se os métodos perturbadores das necessidades corporais do ser humano no seu processo de evolução.

Indispensável a vigilância para não nos deixarmos engambelar pelas sereias sedutoras nos seus cânticos que fascinam, entorpecem e aniquilam a esperança.

Jesus, não poucas vezes, teve que enfrentar a argúcia do materialismo disfarçado, das manifestações farisaicas que se apresentavam vestidas de traje impecável quais sepulcros de branco caiados, ocultando cadáveres em decomposição.

Allan Kardec, não poucas vezes, viu-se sitiado pelas manobras maniqueístas do Mundo Espiritual inferior através de companheiros da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, sendo, no entanto, fiéis aos postulados do Espírito de Verdade.

Na atualidade, de sofreguidão e de tormento, o ser humano procura uma forma de escapar das provações necessárias ao seu processo evolutivo, e não raro são atraídas essas almas para as propostas equivocadas do deus Mamon, e Mamon deísta que fascina, embriaga os invigilantes e os precipitados.

Indispensável a nossa fidelidade aos postulados espíritas conforme exarados na Codificação. O mundo estertora, não pela primeira vez. Periodicamente, conjugam-se fatores cósmicos que se tornam sociológicos e ético-morais, sacudindo as civilizações e empurrando-as para o aniquilamento, para logo surgir um período de esperança e de paz.

Às vésperas da grande transição planetária já iniciada desde há muito, atingimos o clímax que nos pede sacrifício e honradez. Quantos desertam na hora do testemunho! Quantas almas fragilizadas pela sua constituição emocional e espiritual, atraídas pela doçura do Homem das Bem-Aventuranças, mas que não suportam o ferrete do padecimento humano e optam pela desistência mais uma vez!

Somos alguns deles que retornamos, ouvindo o convite de Jesus para a mansuetude, para a misericórdia, para a autoiluminação e tendo baqueado ontem, encontramo-nos necessitados da redenção, tropeçando nas próprias mazelas, correndo o risco da desistência perigosa. Tenhamos cuidado para que os encantos rápidos do mundo não nos distraiam tanto.

Algo temos que fazer e o Mestre Incomparável pede-nos fidelidade da última hora. A noite desce e a treva não se faz total porque as estrelas do amor brilham no cosmo das reencarnações.

Este é momento grave, filhas e filhos do coração, e vós tendes a oportunidade de O servir como dantes não lograstes.

Tornai-vos fortes ante a debilidade das forças. Sede fiéis diante das facilidades do comportamento. Por mais longa seja a existência física, ela se interrompe e o ser volta à realidade, à Casa Paterna, com os valores que acumulou durante a trajetória física.

Bendireis amanhã as dificuldades de hoje, as noites, quiçá indormidas, de preocupações e de zelo, porque o pastor se preocupa especialmente com as ovelhas que tresmalham e deveis estar atentos para essas ou para aquelas que são lobos travestidos de cordeiros em nosso meio, ameaçando a estabilidade do rebanho.

Jesus recomendou-nos a vigilância para, depois, a oração. Sede prudentes como as serpentes, sábios como as pombas, parafraseando o Evangelho, e estai vigilantes, porque amigos vossos de ontem, que se encontram conduzindo as leiras do Espiritismo com Jesus abrem as portas imensas da Imortalidade para que as atravesseis em triunfo e em glória.

Bendizei, portanto, as dificuldades que também experimentamos quando estávamos na indumentária carnal. Ninguém em caráter de exceção. Quantas vezes choramos convosco, abraçando-vos e dizendo-vos: “bom ânimo, crede e perseverai”, recordando-nos de Paulo, sob as ruinas da acrópole antiga em Atenas, renovada, ouvindo as vozes espirituais depois do insucesso da sua pregação aos gregos que ele tanto amava. E ele soube esperar, trabalhar, insistir e amar, fazendo que depois Atenas recebesse o divino pábulo do Evangelho e o legado sublime de Jesus.

Estamos em uma nova Atenas, que teima em não nos aceitar, em substituir Jesus pela tradição dos velhos deuses de Dionísio a Momo, de Baco às expressões mais vis do humano comportamento.

O triunfo, sem dúvida, é de Jesus. Ide e pregai com o exemplo, vivendo o Evangelho a qualquer preço, não conforme as teologias, mas de acordo com a ética moral de que se utilizou Allan Kardec para perpetuar esse modelo e guia da Humanidade que nos conduz!

Ide, amados! Antes, servos e, agora, irmãos do Mestre em triunfo, na Era de Luz que se iniciará em madrugada próxima, logo seja terminada a noite de trevas.

Mantende-vos em paz e amai, ajudando-vos uns aos outros nas suas debilidades e fraquezas, pois que são eles que precisam do vosso auxílio para também atingirem a meta.

O Senhor da Vida irá conosco.

Muita Paz, filhos do coração e filhas da ternura!

São os votos dos espíritos-espíritas, por intermédio do servidor humílimo e paternal de sempre,

Bezerra.
(Mensagem psicofônica ditada pelo Espírito Bezerra de Menezes ao médium Divaldo Pereira Franco, no encerramento da Reunião Ordinária do Conselho Federativo Nacional, realizada em Brasília, em 12 de novembro de 2017. Texto revisado pelo autor espiritual.)

Fonte: FEB

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Programa Evangelho no Lar Online ao vivo


Nesta quinta-feira, às 20h (horário de Brasília), tem mais uma edição ao vivo do Programa Evangelho no Lar Onlineo nosso encontro familiar com Jesus e toda a espiritualidade, para um momento de reflexão, aprendizagem e confraternização espiritual em torno da Boa Nova trazida pelo Mestre de Nazaré, à luz do Espiritismo.

As videotransmissões são feitas ao vivo via YouTube e você pode acompanhá-las pelo link do YouTube Live, pela página inicial do nosso Portal Luz Espírita.

Participe conosco e nos ajude na divulgação.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

"Alerta dos cientistas do mundo para a humanidade: um segundo aviso" - a vida na Terra está ameaçada!


15 mil cientistas de 184 países assinaram uma carta aberta denominada "Alerta dos cientistas do mundo para a humanidade: um segundo aviso" e publicada pela revista científica BioScience (ver em inglês), revelando uma visão ainda mais pessimista da comunidade científica em relação aos rumos do planeta Terra no tocante a sustentação do ecossistema. Para os cientistas, as ameaças à vida terrena estão se recrudescendo e fazem previsões alarmantes para catástrofes ambientais. Essa publicação é uma reedição do alerta "Alerta para a humanidade" emitido em 1992, portanto há 25 anos, pela Union of Concerned Scientists então corroborada pela assinatura de 1,7 mil cientistas de todo o mundo.


E se aquelas previsões da primeira publicação já eram assustadoras, o teor da reedição é alarmante, justificado pelo aumento desordenado da população mundial (cerca de 35%, em comparação com o total populacional do nosso orbe em 1992), o estrangulamento dos recursos naturais para atender a um crescente consumismo (especialmente de produtos, digamos, não tão necessários), o aquecimento global e as constantes emissões de carbono geradas pelo uso de combustíveis fósseis, bem como as práticas agrícolas não sustentáveis, o desmatamento, a falta de água doce, a perda de vida marinha e as crescentes zonas mortas dos oceanos, dentre outras causas.

As primeiras consequências mais visíveis, segundo os estudiosos, são o desequilíbrio climático (seca, enchentes, etc.) e a extinção de espécies de vida importantes para o equilíbrio do ecossistema. "Desencadeamos um evento de extinção em massa, o sexto em cerca de 540 milhões de anos, em que muitas formas de vida atuais podem ser aniquiladas ou, ao menos, estar fadadas à extinção até o final deste século" — traz a publicação.

Ao lado do alerta, a carta propõe 13 medidas para contenção dessas ameaças, incluindo ampliar o acesso aos métodos contraceptivos, "estimar um tamanho de população humana sustentável e respaldado cientificamente a longo prazo" e mobilizar "nações e líderes para apoiar esse objetivo fundamental". Outras medidas incluem promover dietas à base de plantas e energias renováveis, e ao mesmo tempo eliminar os subsídios para combustíveis fósseis. A desigualdade de renda deve ser corrigida e "os preços, a tributação e os sistemas de incentivo (devem) levar em conta os custos reais que os padrões de consumo impõem ao nosso meio ambiente".


A comunidade científica salienta nesta carta: "Para evitar a miséria generalizada e a perda catastrófica de biodiversidade, a humanidade deve praticar uma alternativa mais sustentável aos negócios". E sentencia peremptoriamente: "Em breve, será tarde demais para mudar o curso da nossa trajetória fracassada, e o tempo está acabando".


Resposta política

Não sabemos, até o fechamento desta postagem, de qualquer repercussão dessa carta reeditada no meio político. Desconhecemos qualquer pronunciamento de qualquer autoridade a respeito desse novo alerta científico. Contudo, e infelizmente, não há muito otimismo por parte dos ambientalistas em relação ao comprometimento dos líderes mundiais. A preocupação mais urgente destes tem sido a solução dos problemas econômicos de suas nações, em detrimento da responsabilidade que lhes cabe quanto ao futuro do nosso mundo.

Os esforços têm sido muito poucos e, por vezes, sofrido reveses lamentáveis. O mais recente — e mais retumbante — é o que está sendo protagonizado pelo atual presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, que declara abertamente o desinteresse em cumprir o Acordo de Paris, assumido pelo seu antecessor, Barack Obama. O Acordo de Paris é um tratado no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC - sigla em inglês), que rege medidas de redução de emissão dióxido de carbono a partir de 2020, do qual o Brasil também é signatário. O acordo foi negociado durante a COP-21, em Paris e foi aprovado em 12 de dezembro de 2015. O líder da conferência, Laurent Fabius, ministro das Relações Exteriores da França, disse que esse plano "ambicioso e equilibrado" foi um "ponto de virada histórica" na meta de reduzir o aquecimento global.

Chefes de delegações na COP-21, em Paris

Em 1992, ano da publicação da primeira carta-alerta, o Brasil sediou um evento de grande apelo para a questão ambiental mundial: a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, que também ficou conhecida como Eco-92. Porém, apesar daquela conferência ter reunido grandes chefes de estado, entre os dias 3 a 14 de junho de 1992 na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil, gerando grandes expectativas nos ambientalistas, os resultados práticos são quase nulos e, conforme reafirma esta nova carta científica, as ameaças são crescentes.

Além dos interesses econômicos dos grandes investidores, que acabam influenciando — e muito — os rumos políticos dos países, não deixa de haver, do próprio seio acadêmico, vozes discordantes dessas previsões pessimistas. Alguns especialistas dizem que há uma supervalorização das questões ambientais e defendem que a Natureza terrena é cíclica e dinâmica, capaz de se ajustar a todas as circunstâncias que se lhe recaem. Portanto, segundo eles, os próprios recursos naturais se adequam com justeza ás ações do homem e, apesar dos contratempos e conturbações que esses reajustes naturais causam, o planeta sabem moldar-se automaticamente e sempre para melhor, não havendo possibilidade de fatalidade geral. Eles defendem ainda que o desaparecimento de espécies e o surgimento de outras são fenômenos absolutamente normais e até salutares. Dizem enfim que esse processo evolutivo, embora penoso para alguns povos, é natural, necessário e bom para a sustentação do planeta.



Projeções sob uma ótica espírita

O planeta Terra é um dos mundos na imensidão do Universo destinado a ser habitat para Espíritos em evolução, servindo de laboratório físico para as aquisições intelectuais e virtudes morais dos seus habitantes. A diversidade das condições geográficas (desertos, pântanos, sertões áridos, savanas, montes gélidos, etc.) aqui existente propicia variadas experiências para as provas reencarnatórias dos seres visando o seu crescimento espiritual.

A Natureza física é ainda um instrumento didático para a disciplina psicológica da humanidade. Pela observação do ecossistema e dos recursos naturais, os homens então encontram inspiração para a resolução de suas questões íntimas e desenvolvem sua espiritualidade. Portanto, a integração do homem e a Natureza é uma ferramenta didática magnífica.

Entretanto, como os seres inteligentes da criação dispõem de seu livre-arbítrio, cujo grau é relativo ao seu desenvolvimento intelecto-moral, não resta dúvida de que este, como senhor governante do meio ambiente, é apto tanto a contribuir para a evolução do seu próprio habitat, quanto para danificá-lo — como o tem feito, a exemplo desta publicação científica que nos alerta sobre a má ação humana contra os recursos naturais planetários. E, como é lógico, não há como deixarmos de pensar na responsabilização dessas más ações. E sabemos igualmente que a lei de justiça divina é inexorável: todos os mal feitores sofrem os reflexos de sua conduta imprudente — desde as mínimas agressões à Natureza.

Todavia, é plausível que se questione se, de fato, o homem seria capaz de destruir as condições vitais para a sua reencarnação na Terra, seja pelos prejuízos que tem acumulado contra o ecossistema, ou seja por um ato ainda mais fatalista, por exemplo uma sequência de acionamento de bombas atômicas numa possível terceira guerra mundial. Será que isso poderia acontecer? A espiritualidade permitira tal catástrofe?

Bem, não podemos dizer que sim ou que não, mas podemos ponderar com segurança que a evolução dos Espíritos que ora gravitam no orbe terreno deverá continuar, seja na Terra, seja em qualquer outro planeta. A necessidade nos impõe a reencarnação e esta se dará, de um jeito ou de outro, aqui ou em qualquer outro lugar no Universo. Não há que temermos esse "apocalipse científico". Para um materialista, claro, que acredita que a vida e existência dos seres inteligentes requer a organização da matéria de nossa dimensão, a extinção da espécie humana terrena significaria o fim de tudo. Nós espíritas, por nossa vez, sabemos que a existência independe da matéria e muito menos depende das condições da organização deste pequeno planeta azul e insignificante em face da grandeza do Cosmos. Somos Espíritos imortais de uma natureza superior à dimensão física deste mundo. Por isso, não há que temermos pela fatalidade prevista pela comunidade científica.

Por outro lado, não podemos desdenhar o alerta dos especialistas e devemos nos conscientizar das responsabilidades de cada um de nós nesse processo de degradação da Natureza, afinal, somos todos agentes dessas forças econômicas e políticas que tanto tem agredido ao nosso meio ambiente. O apego exagerado aos bens materiais e o consumismo desenfreado são fenômenos globais. Quem pode dizer-se totalmente isento dessa cadeia viciosa de consumo?

Daí porque esse alerta deve ser bem refletido por cada um de nós com todo o cuidado e franqueza.

A título de subsídio para uma reflexão mais apurada sobre as questões então oferecidas neste post, com enfoque nas propostas do Espiritismo para nossa conduta, sugerimos a publicação que fizemos aqui em fevereiro de 2014, trazendo uma videopalestra com o jornalista espírita André Trigueiro, com um enfoque especial sobre "Ecologia na obra de Chico Xavier" (veja aqui).


E, evidentemente, recomendamos com especial atenção a obra pela qual o codificador espírita, Allan Kardec, melhor desenvolveu a temática científica: o livro A Gênese (leia online ou baixe aqui).

Fonte G!

Palestra espírita: "O Poder do Autocontrole" com Anete Guimarães


Mais uma proveitosa exposição de Anete Guimarães: "Tentação e desejo: o Poder do Autocontrole", vídeo da palestra proferida na instituição OAM - Obreiros do Amor e da Misericórdia, em Embu das Artes.

Anete Guimarães já é bem conhecida no meio espírita. Ela é psicóloga, parapsicóloga e professora de Filosofia. Espírita de berço e profunda conhecedora da Doutrina Espírita, dedica-se a divulgar o Espiritismo através de suas palestras explorando especialmente os aspectos científicos da revelação espírita, com destaque pessoal para as mais recentes pesquisas da Neurociência.

Nesta exposição, que compartilhamos aqui, ela se debruça sobre a questão do jogo de forças psicológicas promovido pela tentação e o desejo diante da nossa necessidade de autocontrole e das consequências — físicas e espirituais — para o comportamento humano em face justamente dessas forças psíquicas.

Eis o vídeo da palestra:


Compartilhe e ajude a divulgar o Espiritismo.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Novo verbete da Enciclopédia Espírita Online: "Espiritual"


Mais um verbete acrescido à Enciclopédia Espírita Online: "Espiritual".

Entenda o emprego deste adjetivo e a sua distinção em relação ao termo "espírita", que, aliás, causa certa confusão de interpretação para muita gente e julgamos ser importante observar, para evitar ambiguidade.

Clique aqui e acesso o novo verbete.

Calendário Histórico Espírita: aniversário de desencarnação de Berthe Fropo


Hoje, 9 de novembro, trazemos à nossa memória a personagem Berthe Fropo, por ocasião do aniversário de sua desencarnação, que se deu em 1898.

Fropo permaneceu por muito tempo desconhecida do Movimento Espírita Brasileiro, mas, felizmente, seus feitos foram resgatados por iniciativa de pesquisadores dedicados, que se empenharam em remexer a historiografia do Espiritismo, lançando publicações importantes tais como: Revolução Espírita, de Paulo Henrique de Figueiredo; Em Nome de Kardec e Madame Kardec, de Adriano Calsone; e Muita Luz (Beaucoup de Lumière), de Berthe Fropo, tradução de Ery Lopes e Rogério Miguez, revisão de Jorge Hessen.

Saiba mais sobre Berthe Fropo clicando aqui.

Veja mais datas importantes para o Espiritismo na página Calendário Histórico Espírita.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Sala de Leitura: lançamento de "PENSAMENTO E VIDA" (Emmanuel) Chico Xavier


Mais uma joia preciosa acaba de reforçar a Sala de Leitura do Portal Luz Espírita: "PENSAMENTO E VIDA", ditado pelo Espírito Emmanuel, psicografado por Chico Xavier.

Veja a sinopse:
Qual é a força do pensamento?O autor espiritual, Emmanuel, esclarece sobre como os pensamentos agem poderosamente modelando a vida: somos hoje herdeiros positivos dos reflexos de nossas experiências de ontem, com recursos para alterar-lhes a direção à verdadeira felicidade?Emmanuel expõe com simplicidade, por meio de ideias claras e inteligentes e comparações baseadas no dia a dia, os efeitos que o pensamento gera na intimidade de cada um e no mundo onde vive.Explica, ainda, a ligação das emoções e pensamentos, evidenciando que o ser humano tem a capacidade de gerenciá-los em benefício do progresso.
O lançamento está disponível em formato PDF e ePUB.

Clique aqui para ler online ou fazer o download do livro.

domingo, 5 de novembro de 2017

Engenharia genética - por Divaldo Franco


Reproduzimos a seguir um interessante artigo, publicado na revista Reformador, fruto de uma mensagem psicografada por Divaldo Franco, em reunião de 14 de julho de 1997, em San Juan, Porto Rico. O texto trata dos recursos positivos de que a Ciência tem se valido ao mesmo tempo em que nos remete a um reflexão sobre os limites éticos das experimentações humanas.



Engenharia Genética

O desenvolvimento científico, que se vem apresentando nos mais diferentes campos do conhecimento, demonstra que o ser humano progride e diminui a carga dos próprios sofrimentos, que são por ele mesmo programados como resultado da incúria ou da inépcia para lidar com os necessários desafios existenciais.

A busca da superação da dor e de todos os sequazes que a acompanham tem sido constante, desde os audaciosos sonhos da conquista da pedra filosofal, na Idade Média, até as ambições que se podem transformar em tristes pesadelos, quais as que dizem respeito à incursão na intimidade do DNA para clonagem de seres como outros tantos delírios antiéticos do momento.

Não obstante, a Divindade tem facultado que as aflições mais rudes, em razão do progresso que a criatura tem conseguido, particularmente na área moral, embora o muito que ainda lhe falta alcançar, venham diminuindo a pouco e pouco, abrindo espaços no seu processo orgânico e psíquico para mais saúde, mais bem-estar e mais alegria de viver.

Desde quando foram descobertos o éter, o clorofórmio e outros fármacos, como também os analgésicos, inúmeros sofrimentos hebetadores foram abrandados expressivamente, assim como o concurso das cirurgias e microcirurgias, que facultaram melhores meios para continuar no corpo sem as injunções penosas e deformadoras que eram habituais.

Certamente, ainda há muito para fazer nessa área e, por isso mesmo, os avanços tecnológicos não cessam, surgindo cada dia com mais amplos e abençoados recursos terapêuticos.

Na genética, por exemplo, desde a descoberta dos genes e cromossomas por G. Mendel, que experimentou reproche e desconsideração dos seus coevos, os logros são catalogados com cuidado, de forma a melhor entender-se os mecanismos da vida nas suas origens, facultando mais amplas possibilidades de auxílio ao ser em formação como posteriormente às resultantes do seu comportamento.

Graças às quase infinitas possibilidades de penetração nas organizações moleculares através dos microscópios eletrônicos e dos estudos acurados dos genes, os cientistas empenham-se em bem definir as ocorrências da vida física e mental, descobrindo como surgem os fenômenos biológicos, a aparência humana e os seus detalhes, desde a configuração até a cor dos olhos, a dos cabelos, examinando as estruturas íntimas do DNA e estabelecendo normas para corrigir algumas das anomalias que se apresentam.

O desconhecimento dos mecanismos superiores da Vida, por parte desses nobres pesquisadores, leva alguns a sonhos fantásticos, pelo menos para o momento, tais o de evitar futuras enfermidades degenerativas como o câncer, a AIDS, trabalhando nos códigos genéticos que tragam deficiências propiciatórias à sua instalação ou surgimento.

Ao lado dessa busca respeitável, sem dúvida, mas que foge ao programa da reencarnação de muitos Espíritos endividados que, se liberados da injunção aflitiva, incidirão em outros mecanismos depuradores, apresentam-se alguns entusiastas da engenharia genética pensando na possibilidade de trabalharem a complexidade desses microcomputadores orgânicos, para alterarem, por exemplo, o sexo do zigoto, ou mais tarde do feto, mesmo que este já se encontre em processo de formação física.

O corpo, sob qualquer condição em que se expresse, é resultado da conduta anterior do Espírito, que programa as suas necessidades na forma, a fim de crescer e evoluir, transformando conflitos em paz, débitos em créditos, mazelas em esperanças. Sem duvidarmos da ingerência do ser humano no projeto, recordaremos que ao abuso do conhecimento em qualquer área sempre correspondem danos equivalentes.

Vejamos, por exemplo, o que vem ocorrendo no ecossistema. O desrespeito à Natureza, por ignorância inicial e por interesses mesquinhos e argentários no momento, tem produzido diversos efeitos graves para a própria existência humana. A destruição da camada de ozônio vem ampliando o número de portadores de câncer da pele de forma assustadora; o abuso dos adubos químicos no solo tem gerado problemas orgânicos lamentáveis; a aplicação de hormônio nas aves e nos animais de abatimento vem facultando doenças desconhecidas no ser humano; a diminuição do volume de água ameaça regiões onde a vida se encontra e começa a perecer; a presença do mercúrio nos rios enseja-lhes o envenenamento, destruindo a flora e a fauna, como as populações ribeirinhas; o aumento das áreas desérticas e o degelo dos polos constituem ameaças que estão preocupando alguns governos e nações do planeta que temem pelo futuro, momentaneamente sombreado por angústias…

A vida é trabalhada por um princípio de ética divina, que não pode ser manipulada ao prazer da insensatez, sem que disso decorram consequências imprevisíveis para os seus infratores.

Fascinados pelas possibilidades teóricas que a engenharia genética lhes propicia, muitos pesquisadores pensam em burlar as Leis Universais, tornando-se pequenos deuses com possibilidades inimagináveis, o que é, aliás, compreensível, dentro dos seus devaneios materialistas pelos quais pensam em tudo reduzir ao nada do princípio em que se apoiam.

Parece a esses investigadores dos emaranhados segredos da existência planetária que lhes é facultado brincar de Deus, alterando os códigos genéticos e criando aberrações para atendimento do seu luxo criativo. Compreende-se que o ser humano ainda não saiba sequer brincar de homem, desde que, na maioria das vezes, quando o intenta, seu jogo se transforma em conflito de guerra com destruição à vista.

A partir de 1990 vários países, compreendendo as possibilidades imensas que lhes estavam ao alcance, reuniram em um projeto ousado inúmeros cientistas do mundo, objetivando decodificar os quase três bilhões de caracteres que se encontram nas células humanas como decorrência do seu código genético.

Trata-se de um nobre trabalho que tem por meta essencialmente compreender a estrutura molecular do ser humano, e mesmo curar as enfermidades afligentes que se instalam devorando vidas. Foi denominado Projeto Genoma Humano que, entre outras descobertas, confirma que o homem se originou na África, de onde emigrou para toda a Terra através dos tempos. Entre outras conquistas maravilhosas se está conseguindo demonstrar que não existem raças superiores nem inferiores, já que as variações nos grupos étnicos são infinitamente maiores do que se pensava a princípio, a tal ponto que indivíduos da mesma raça se apresentam geneticamente muito diferentes entre si. Outrossim, confirmou-se que a epiderme negra tem sua origem em região onde o Sol é muito forte, responsabilizando-se pela pigmentação escura que lhe serve de defesa e proteção, clareando à medida que diminui o calor, tornando-a clara a fim de sintetizar a vitamina D indispensável ao desenvolvimento dos músculos e ossos…

Prosseguindo nessa linha de observações será inevitável a constatação de que todo esse mecanismo providencial à vida humana organizada tem os seus moldes nos campos energéticos do perispírito, esse envoltório delicado do Espírito, que é o agente real da vida.

Simultaneamente se apresenta como necessidade inadiável a presença de uma ética estribada nos limites que devem ser impostos à pesquisa, a fim de que os governos arbitrários e as pessoas alucinadas não se utilizem do conhecimento genético para experiências macabras, quais aquelas muitas ocorridas em tempos próximos passados nos campos de concentração, em que milhões de vidas pereceram longe de qualquer dignidade ou compaixão, ou mesmo sentimento de humanidade, sob as mãos de cientistas loucos que pretendiam criar uma raça superior, na vã presunção de submeter aqueloutras que consideravam inferiores.

A inexorável marcha do tempo, ou passagem do ser pelo rio infinito das horas presentes, vem demonstrando que somente as conquistas que objetivam o bom, o belo, o nobre, o dignificante, permanecem enquanto as utopias da loucura se diluem como brumas espessas de um momento que o calor do dia termina por desfazer.

A engenharia genética será, naturalmente, um instrumento para a dignificação do ser humano e entendimento da vida nas suas mais profundas expressões, jamais recurso para submetê-lo às paixões e desmandos de outros que dela planejam utilizar-se para tais nefandos fins.

Fonte Reformador

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Coletânea de reflexões espíritas para o Dia de Finados


Chegando mais um feriado, 2 de novembro, em homenagem aos finados, é natural vermos crescer um apelo em torno do tema "morte" e "outro lado da vida", bem como a curiosidade sobre as alternativas teóricas da Doutrina Espírita para questões relativas a esse assunto, como as implicações de se visitar túmulos, de se fazer preces e oferendas aos entes falecidos, e a respeito de como os Espíritos compreendem as cerimônias feitas nessa data.

Para essas e outras questões, reunimos aqui uma coletânea de posts que já fizemos aqui, começando pelo artigo "O Espiritismo e o Dia de Finados", assinado por Luiz Gonzaga Scalzitti, postado em 29 de outubro de 2010, contendo uma breve reflexão sobre as mais comuns dúvidas relacionadas a este feriado de acordo com a interpretação espírita do autor.



Já na postagem de 28 de outubro de 2016, "Dia de Finados", valemo-nos de um apanhado publicado pelo Blog do Ismael, no qual consta, entre outras relevantes informações, a lembrança das campanhas do saudoso divulgador espírita Cairbar Schutel em datas semelhantes, levando o consolo espírita aos visitantes dos cemitérios.

Cairbar Schutel com companheiros espíritas distribuindo mensagens no cemitério de Matão, SP Foto: O Clarim


Essa mesma postagem traz ainda uma entrevista — muito oportuna para o tema em questão — com Suely Caldas Schubert para o programa Transição, que reproduzimos aqui, logo a seguir.


Adiante, uma imagem de um dos túmulos mais visitados no Cemitério do Père Lachaise, em Paris, França: o dólmen no estilo druida onde forma sepultados os despojos físicos de Allan Kardec e sua esposa, Amélie Boudet, e onde se lê, no frontispício, a máxima "Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar. Tal é a lei".


Túmulo de Allan Kardec e sua esposa Amélie Boudet, em Paris, França.

E para fechar, fica o convite para todos participarem conosco de mais uma edição do Programa Evangelho no Lar Online, com uma prece especial a todos os nossos queridos irmãos espirituais que ora desfrutam do mundo invisível.



Transmissão ao vivo pelo YouTube às 20h, horário de Brasília.

Mais informações na página Programa Evangelho no Lar Online.

domingo, 29 de outubro de 2017

Biografia de Berthe Fropo pelo artigo "A mulher que denunciou irregularidades no Movimento Espírita Francês" por Adriano Calsone


Caros amigos e confrades, apresentamos a seguir um conteúdo inédito e histórico para o Movimento Espírita, trabalho garimpado pelo dedicado pesquisador Adriano Calsone, autor dos livros Madame Kardec e Em Nome de Kardec (que já comentamos aqui). Trata-se de um achado extraordinário, como todos verão adiante.

Neste mês de outubro, lançamos a obra Muita Luz, tradução de Beaucoup de Lumière de Madame Berthe Fropo (clique aqui para baixar), que consideramos um livro de grande valor para a historiografia do Espiritismo, mas, à época, como confessado, sem que tivéssemos muitas informações sobre a autora. Ocorreu, no entanto, que a anunciada tradução correu o mundo (pelas mensagens que recebemos) e chegou — coisa incrível, essa — ao conhecimento de um familiar (sobrinho de terceiro grau) da própria Berthe Fropo, que então, por iniciativa pessoal, entrou em contato com Calsone, via rede social, interessado em colaborar com as nossas pesquisas e disposto a dar informações mais detalhadas sobre a nobre ativista espírita, inclusive — o que nos deixou radiantes de alegria — cedendo cópias de fotografias de seu acervo familiar, envolvendo a autora de Beaucoup de Lumière.

E, portanto, ainda encantados com esse salutar contato, compartilhamos com todos nossos apurados acerca da biografia de Berthe Fropo, através desse artigo que Adriano Calsone escreveu para este nosso canal de divulgação espírita.

Segue o artigo e as fotos inéditas de Berthe Fropo:


"A mulher que denunciou irregularidades no Movimento Espírita Francês"
por Adriano Calsone

Parece soar mentira quando afirmarmos que existiu há 133 anos atrás alguém que foi capaz de denunciar abusos, irregularidades, corrupção e incoerências doutrinárias que se avolumaram no movimento espírita francês do século 19, mais especificamente depois da morte de Allan Kardec. Impensável ainda constatarmos que esse delator fora uma mulher espírita, amiga íntima da esposa de Kardec. Sim, uma importante mulher que esteve completamente apagada da historiografia espírita mundial!

No mês de outubro do corrente (mês de Kardec), nossos amigos Ery Lopes, Rogério Miguez e Jorge Hessen publicaram a tradução (do francês) de Beaucoup de Lumière (Muita Luz), brochura espírita com 76 páginas de autoria da nunca ouvimos falar, Madame Berthe Fropo. O opúsculo, bilíngue, com tiragem de 1200 exemplares, foi publicado de forma independente na Paris de 1884, e agora pode ser lido grátis por meio do competente Portal Luz Espírita.

Pelo menos para mim, como pesquisador espírita do pós-Kardec francês, trata-se de lançamento dos mais relevantes do ano para a Literatura Espírita, pois nos ajuda a compreender, direto do original, o que se passou com o movimento espírita logo após a desencarnação do codificador do Espiritismo: “Fropo então vai denunciar os desvios de conduta daqueles que se encarregaram de conduzir a Sociedade Espírita e demais atividades institucionais iniciadas por Kardec, por exemplo, a edição da Revista Espírita. Esses desvios, segundo Fropo, eram de ordem doutrinária e moral”, conforme explicação do Sala de Leitura.

Em verdade, o que nos leva a costurar esse artigo biográfico não fora apenas a ideia de ressaltar, novamente, a feliz iniciativa do nosso amigo e parceiro Ery Lopes, justamente ao traduzir e divulgar gratuitamente Muita Luz. O que nos trouxe aqui foi um francês chamado Nicolas Fropo... Fropo?

Logo após a circulação online da tradução de Muita Luz, um artista plástico chamado Nicolas Fropo entrou em contato conosco pelo Facebook, afirmando ser um distante sobrinho de Madame Berthe Fropo. Ulálá!

Para a nossa perda de chão, disse-nos inbox: “Monsieur, eu não falo espanhol, infelizmente! Eu sou o sobrinho de Berthe Fropo. Minha família tem, em sua posse, um retrato de Berthe Thierry de Maugras jovem, bem como uma foto dela no final da vida. Se você precisar de informações biográficas sobre a minha tia, eu posso comunicá-las a você. Atenciosamente Nicolas Fropo.”

A felicidade foi tanta que nem nos importamos de ser confundidos com um espanhol; nem nos aborrecemos com o fato de que, talvez, franceses ainda possam achar que brasileiros sejam espanhóis hablantes numa geleia geral latino-americana, diante de um tudo a mesma coisa, oh Monsieur! Nicolas, talvez, para amenizar a gafe digital de nos confundir com los hermanos, disse depois com a quentura atípica de um francês: “Je suis heureux pour vous”... e ficamos felizes juntos e por todos, como irmãos espanhóis ou não...

O que mais nos intrigou mesmo foi constatar que, dois anos depois de localizarmos a brochura Muita Luz na Biblioteca Nacional da França, em 2015, surgiu agora desse “éter internético” um francês parente disposto a nos abrir os arquivos familiares dessa inquieta mulher Fropo que fez subir, no pico estratosférico da sinceridade, a temperatura do movimento espírita francês do pós-Kardec, trazendo à tona verdades para lá de inconvenientes.

Assim sendo, nós pedimos a Nicolas Fropo que pudesse nos repassar impressões biográficas de sua tia espírita, lamentavelmente tão desconhecida do Espiritismo mundial. O competente artista [1] aquiesceu ao nosso pedido e nos brindou com duas fotos berthísticas e laudas de próprio punho, recheadas com detalhes históricos da família Fropo, além de novas e merecidas informações sobre a nossa femme forte.

Dirá o atencioso sobrinho: “Caro Adriano, aqui está, como prometido, o artigo-testemunho que escrevi sobre Berthe, a partir dos arquivos da minha família" [2]:


“— Figura do Espiritismo francês, Berthe Thierry de Maugras é uma daquelas humanistas que marcaram o seu século por sua independência de espírito, sua cultura, seu espírito de aventura, tal qual Alexandra David-Néel, a exploradora que chegou à China; tal qual baronesa Almaury de Maistre, compositora e autora de peças para coros e orquestras; exatamente como Eugénie de Guérin, mulher de letras para Berthe Morisot, célebre pintora. Essas mesmas que, como Berthe, foram amantes da liberdade numa sociedade de época em grande parte dominada por homens.

Berthe-Victoire-Alexandrine Thierry de Maugras nasceu em 4 de outubro de 1821, em Sarreguemines, Lorraine [3]. É filha de Honoré-Louis Thierry de Maugras [4], diretor do Hospital Militar de Sarreguemines, e de Frederika Rowenhagen, natural de Luxemburgo.


Teve irmãos e irmãs: Henri Thierry de Maugras, nascido em 1817, médico militar, oficial da Legião de Honra; Louise-Wilhelmine Thierry de Maugras, nascida em 1819, e Camille Thierry de Maugras nascida em 1824, médica militar, também oficial da Legião de Honra.

Originária de Fontainebleau, a família de Thierry de Maugras pertenceu à nobreza, e deu à França muitos cavalheiros da Vénerie [5], assim como tenentes policiais gerais e conselheiros do rei. Entre os antepassados de Berthe Thierry de Maugras, há vários pintores do rei, incluindo Charles de Maugras, Ambroise Dubois (1543-1615), que fez um retrato de Gabrielle d'Estrées, amante de Henri IV, obra que tem lugar atualmente no castelo de Fontainebleau.

Por conta das atribuições militares de seu pai, mademoisselle Berthe viverá sucessivamente em Rocroi, em Lille, depois em Briançon, nos Alpes e, finalmente, em Calais, essa última localidade em 1836 [6].

Ela recebe uma educação perfeita como qualquer jovem da boa sociedade. Sabemos que teve uma boa voz e aprendeu canção lírica...


Então, brutalmente, a miséria cai sobre a família Fropo: Honoré-Louis Thierry de Maugras, seu pai, é demitido do exército em 1837, sob o reinado de Louis-Philippe. À medida que sua pensão de aposentadoria entra em atraso, a sua esposa Frederika se sente obrigada a escrever uma petição ao Ministro da Guerra. Ela redige, nestes dramáticos termos: ‘Nossa posição é horrível, não temos nada, Senhor Ministro, que possa fazer sobreviver nossos quatro filhos, que estão sem um futuro [...].’

Encontramos Berthe Thierry de Maugras na Paris de 1846 quando conheceu um jovem cirurgião militar, Augustin-Joseph Fropo, nascido em 1820 e natural de Saint-Omer. Augustin fora brilhante estudante de medicina, defendendo sua tese de doutorado aos 23 anos de idade. Além disso, Augustin Fropo fora iniciado e se tornou maçon d’Amis Réunis de l'Orient de Lille (Amigos Reunidos do Oriente de Lille), em dezembro de 1845. Essa loja (surgida em junho de 1776) esteve no ano seguinte já vinculada à Grande Oriente da França. Somos totalmente ignorantes das atividades maçônicas de Augustin Fropo, mas não é impossível que a militância espírita de sua esposa Berthe, mais tarde com o Espiritismo, tenha a ver com a filiação de seu marido na franco-maçonaria.


Ambos testemunharam uma grande liberdade de espírito, isso enquanto pertenceram à tradição católica. Mas não enxerguemos isso como uma contradição: os aristocratas franceses, sejam nobres ou burgueses, costumam praticar a arte do paradoxo! O fato é que a Igreja Católica não terá palavras suficientes para condenar a maçonaria e criticar o Espiritismo. Por outro lado, os protestantes serão mais tolerantes. Não esqueçamos que as primeiras lojas maçônicas apareceram na Escócia e depois na Inglaterra, no solo anglicano.


Mas é graças à Charles-Henri Thierry de Maugras, que se torna um grande amigo desde seus estudos médicos, que Augustin Fropo encontra sua irmã-esposa Berthe. Nativos da província de Artois, no norte da França, a família Fropo descende, pelas mulheres, dos condes de Flandre. E o casamento católico de Augustin Fropo e Berthe Thierry de Maugras foi celebrado no dia 1º de setembro de 1846, na igreja de Saint-Jacques-du-Haut-Pas, em Paris. [...]

Depois de anos passados na Argélia, pós-campanha italiana de 1859, Augustin Fropo foi nomeado, em 1863, médico do Regimento de artilharia da Guarda Imperial de Paris. Por conta disso, o casal se muda para a Avenida Duquesne, nº 40, não muito longe da Rua dos Inválidos. Eles também tiveram uma casa em Sceaux, comuna francesa perto de Paris.

Casal Fropo, nesta época de ditadura napoleônica, levava uma vida material de acordo com os costumes da boa sociedade do Segundo Império, mas Berthe não se contenta em receber amigos ou ir a qualquer recepção ou exposição. Ela compromete-se com a associação de luta contra o abuso de tabaco.


Curiosamente participa, como artista, de um concerto oferecido pela Marechal Regnault de Saint-Jean-d'Angély, na capela da Escola Militar de Paris. O stabat mater [7] da Baronesa Almaury de Maistre é oferecido no momento em que Berthe Fropo canta um dos solos, e sua apresentação foi realizada em benefício dos pobres.

Mas o Império declina e a guerra explode em 1870... Os prussianos ocupam Paris, o Imperador abdica.

Augustin Fropo é médico-chefe do Hospital Militar de Versalhes e é, por esta razão, que em 1871 defenderá os feridos da Comuna contra os maus tratos infligidos contra esses. Ele é nomeado Comandante da Legião de Honra e Adolphe Thiers, Presidente do Governo Provisório dá-lhe a condecoração. A República é proclamada...

Foi durante esses anos que Berthe Fropo-Thierry de Maugras se iniciou no Espiritismo [8]. Ela se tornou amiga de Amélie Boudet, esposa de Allan Kardec, e foi vice-presidente da União Espírita Francesa. É muito provável que seu marido, que terminará sua carreira militar como inspetor médico com o cargo de general de brigada, apoiará a esposa em sua militância espírita. Augustin Fropo morreu em 1885...

Autora de Beaucoup de Lumière (Muita Luz), Berthe Fropo morre em 9 de novembro de 1898, em sua casa parisiense. Foi por meio dos escritos da Crônica da família Fropo, documento que existe [9] de 1532 até o presente, que redescobri a vida de Berthe Fropo-Thierry de Maugras; que redescobri o seu engajamento no movimento espírita.

Finalmente, aqui está a minha linha de parentesco com esta mulher excepcional: o seu sobrinho, o coronel Louis-Augustin Fropo (1857-1939) terá como filho Maurice-Jean Fropo (1890-1974), que é meu avô [10]."
Nicolas Frobo de Habart



Notas:

[1] Para saber mais sobre Nicolas Fropo de Habart, artista francês talentosíssimo, veja o seu vídeocurrículo-poético, acessando: https://vimeo.com/97887319. Site do Nicolas: www.fropo-dehabart.com. Nicolas Fropo vive em Nîmes, no sul da França.

[2] Em francês, pela mensagem de Nicolas: “Cher Adriano, voici comme promis l'article-témoignage que j'ai écrit au sujet de Berthe, à partir des archives de ma famille.”

[3] Esta localidade francesa fica há quase 500 quilômetros de Paris. Num primeiro momento, analisando esse retrato tardio da então viúva Berthe Fropo, (elegantemente vestida com trajes de luto e foto do marido em retrato oval abaixo do pescoço – tradição das enlutadas à época) curiosamente observamos que ela não possui muitos traços franceses. Talvez porque sua família materna seja de Luxemburgo, estado belga vizinho entre a Alemanha e a França? Esse rosto com expressão doce, serena, reveste uma espírita perscrutadora, valente e corajosa, que defendeu a coerência doutrinária até o fim de seus dias.

[4] Por inbox, Nicolas nos dirá que o pai de Fropo fora “oficial administrativo de Napoleão”.

[5] Grupos masculinos que praticavam um modo de caça ancestral que consiste em capturar um animal (tradicionalmente cervo, veado, raposa ou lebre) por meio de uma matilha de cães, até que esse seja abatido e morto.

[6] Como visto no mapa, Nicolas Fropo relata em detalhes as localidades francesas em que a menina e adolescente Berthe Fropo viveu – antes de desembarcar definitivamente na Paris de 1846.

[7] A expressão religiosa Stabat Mater refere-se a um hino do século 13, em honra à Maria, mãe de Jesus, atribuído ao franciscano Jacopone da Todi ou ao papa Inocêncio III.

[8] Não há dúvidas que Dr. Augustin Fropo fora espírita convicto e o casal, militante do Espiritismo. A afirmação de Nicolas Fropo, a de que o casal Fropo inicia sua militância espírita no início da década de 1870, soa muito estranha pra nós, principalmente por conta de um trecho de depoimento publicado no jornal Le Spiritisme, em dezembro de 1883, em que Fropo vai admitir grande carinho que nutria pelo casal Kardec: “Alguns poucos amigos e eu, lhe restamos fiéis, e é para mim a maior glória da vida ter sido amada até o último suspiro, por esses dois grandes Espíritos.” Isso deixa a entender que ela pode ter conhecido, convivido e foi amada (também) por Allan Kardec. Por essas e por outras declarações, acreditamos que o casal Fropo pode ter se tornado espiritista antes mesmo de 1869.

[9] Isso prova o quando nós brasileiros somos negligentes com registros históricos de nossas próprias famílias; como somos displicentes com as nossas árvores genealógicas; como somos esquecidos de que os nossos antepassados também são importantes e merecem registro e preservação de nossa parte. Que os franceses, nesse aspecto de preservação historiográfica, nos sirvam de exemplo!

[10] Em inbox, Nicolas nos comenta que o casal Fropo não teve filhos e que, além do coronel Louis-Augustin Fropo, ficou como herdeiro direto do espólio outro sobrinho de nome, Auguste  Fropo (1858-1945), advogado da República francesa, sob a jurisdição de Túnis.